Célia Ribeiro: Problemas da vida urbana

Colunista comenta a morte do homem atingido por árvore no Parque Farroupilha

Foto: Ronaldo Bernardi

O triste fato ocorrido no Parque Farroupilha, quando caiu um eucalipto, causando a morte de um senhor que aproveitava o raro dia de sol deste inverno, é um sinal de alerta para todos nós que vivemos numa grande cidade. Podemos admirar em Porto Alegre belas árvores frondosas cobertas por parasitas que escondem galhos às vezes podres, ameaças constantes a quem passa pelas calçadas ou estaciona seu carro. Quando alguma delas é abatida muita gente se revolta, sem saber a causa.

Algumas vezes a remoção é para evitar danos como o ocorrido, ou abrir espaço para os raios solares preservarem o viço de árvores nativas no meio ambiental. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente, diante da dificuldade de diagnosticar riscos de uma árvore, usará aparelho de ultrassom, como se faz no corpo humano.

Porto Alegre é uma das cidades de maior número de parques e arborização de ruas no Brasil, sendo difícil fazer um controle total. Cabe a quem observar uma árvore ameaçada de cair em sua rua telefonar para a SMAM ? e esta secretaria deve informar a população porque fez o abate.

Causou espanto, à saída de uma das sessões do filme Hannah Arendt, em um de nossos principais cinemas de shopping, o lixo jogado pelos espectadores no espaço junto ao telão. Aquele excelente filme não é dirigido a crianças, mas a uma plateia culta, capaz de compreender o tema abraçado pela filósofa alemã que se refugiou nos Estados Unidos devido à perseguição nazista aos judeus.

Hannah Arendt refere-se à capacidade do ser humano de responder internamente seus questionamentos num diálogo interno. Ela destaca esta banalização do mal, que continua e tanto nos preocupa. Não se entende como é que estes espectadores, senhores e senhoras interessados em cultura, joguem garrafas vazias, sacos de papel e embalagens no piso de um cinema.

Marionetes fashionistas

Usar manequins em miniatura para uma coleção de moda já ocorreu na Europa, quando Worth e Poiret mostraram suas criações parisienses em outras capitais. Mas nunca ouvi falar em marionetes para esta finalidade. É o que se pode ver até o dia 15 no BarraShoppingSul, setor G, com modelos do estilista Fause Haten homenageando manequins, inclusive Naomi Campbell.

Com corpo de madeira flexível nas articulações e cabeça de biscuit, as marionetes de Fause expõem estereótipos de roupa de festa da atual coleção. O lançamento foi com um desfile movimentado por marioneteiros. Vale a pena apreciar.

Era assim…

O costume dos homens cumprimentarem tirando o chapéu é uma herança medieval, dos tempos em que os cavalheiros levantavam as viseiras de suas armaduras, retiravam a luva da mão direita e a estendiam para serem reconhecidos como pessoas de paz.

Quando o chapéu passou a integrar a indumentária masculina, na Renascença, os nobres cumprimentavam-se com a mão no acessório, descobrindo rapidamente a cabeça. Nos anos 1940 ? isso pode ser observado nos filmes da época -, bastava levar a mão ao chapéu quando eles encontravam um conhecido na rua. Já o beijo como complemento da saudação é originário da França e chegou à Itália e à Alemanha no final da Idade Média. Houve tempo em que as mulheres beijavam a mão que um homem lhe estendia, desde que ele pertencesse à nobreza.

No restaurante

Garçons desejosos de bem recepcionar os clientes acham que dar-lhes um tratamento mais íntimo expressa seu agrado em atendê-los. Assim fez um garçom de Porto Alegre que se dirigiu a um casal como “querido” e “querida”. Outro, num restaurante da Lagoa, no Rio, preferiu o tratamento “amigo” e “amiga” ao oferecer o cardápio.

Numa relação profissional não cabe intimidade deste tipo. Correto é chamá-los por “senhor”. Tratando-se de clientes conhecidos, cabe seu título de doutor Fulano ou coronel Fulano “esporte fino” – e isso significa blazer e gravata. Porém, temendo que aparecessem sem paletó, optaram

Novos nomes no dress code

“Recebi um convite que pedia traje “esporte fino tradicional” e fiquei sem saber do que se trata, ainda que seja um homem bastante antenado para este assunto.” RAUL

Está acontecendo de anfitriões inventarem nova nomenclatura nos convites impressos. Bastavaoptaram por acrescentar a palavra “tradicional”. Diante de qualquer dúvida, basta telefonar para os organizadores do evento.

Dica de pote para doce

“Compro sempre patês industrializados e descobri uma deliciosa pasta de salmão defumado vendida num potinho de vidro incolor transparente (8cm de diâmetro). Quero saber se posso utilizá-la para servir sobremesas (gelatinas e cremes)?” JUSSARA

Se o potinho é liso na borda, sem o friso para adaptar a tampa, pode sim. Ainda mais que as pessoas, preocupadas com seu peso, reduzem sua dose de doce. Além disso, estamos em plena era de reciclagens e improvisações. Sirva o pote sobre um pires de xícara de chá e colher de sobremesa.

As últimas do Donna
Comente

Hot no Donna