Celia Ribeiro: tradições e bons votos nos doces sabores de fim de ano

Ao conversar com o chef argentino Diego Andino, que comemora dez anos da sua confeitaria em Porto Alegre, comentei a positiva contribuição de outras culturas na doçaria do Rio Grande do Sul e os novos ingredientes agregados às receitas originais. Um exemplo é a torta Charlote de Frutas Vermelhas, com a cobertura de frutas a que ele adicionou a physalis, a fruta em pétalas, como um rosa, exótica e gostosa com poder medicinal. Originária da Colômbia, onde se chama uchuva, a physalis está sendo cultivada em Lajes, em Vacaria e no norte de Santa Catarina.

A charlote de Diego concentra influências da rica cultura gastronômica da Argentina e da sua avó francesa, que fazia charlotes (sobremesa com biscoitos champanhe em volta da forma recheada com mousse) legadas pelo grande chef Carême (1783-1832), chamado de “o cozinheiro dos reis” por ter exercido considerável influência nas cortes europeias.

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A mais curiosa torta, no entanto, é a Galesa, levada à Patagônia por imigrantes do País de Gales que ali se estabeleceram no início do século XX. No início do ano eles enterravam, a 40cm de profundidade, o bolo cozido com bilhetinhos de bons augúrios para dar tempo de se realizarem até o final daquele ano. O bolo é uma mistura de cravo e canela, farinha e açúcar mascavo, nozes e raspas de frutas cítricas, mais ameixas embebidas no vinho do porto. Detalhe importante: Diego não faz mais aquele procedimento próprio ao clima gélido do Pais de Gales e da Patagônia. Ele prepara a Galesa nos primeiros dias de dezembro e ela pode durar por um mês, com sabor semelhante ao do bolo de noiva pela ação dos temperos e o vinho.

*A Torta Galesa (na foto em destaque) segue a tradição de imigrantes do País de Gales que chegaram ao sul da Argentina no início do século XX. Diego Andino desenvolve a curiosa receita

 

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Servir torta entre os doces de Natal é comum. Para calcular quantidades em relação aos convidados, uma torta com 25 cm de diâmetro rende 12 fatias generosas, que podem estar acompanhadas por sorvete de creme ou de chocolate. Mas com um panetone se termina também uma gostosa ceia, servido com sorvete de creme ou de chocolate. As fatias são dispostas em pratinho de sobremesa com colher e garfo (não entra faquinha).

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Pratinhos de vidro com a borda alta são para doces com molho e, numa mesa que segue a etiqueta tradicional, apresentados sobre um pratinho de porcelana, onde se coloca a colher, à direita, e o garfinho, à esquerda, especialmente depois de saborear o doce. Pois a Torta Sacher no Rio Grande do Sul é a que mais se presta a ser servida assim e com creme chantilly, como fazem em Viena.

 

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Camisas de manga curta

“Ouvi um jovem comentar que camisas de manga curta são bregas. Sem gravata, deve-se usar uma de manga comprida ou do tipo polo. Está certo?” RUBEM

– A camisa de manga curta de qualidade nada tem de brega. Deselegante é usá-la em desarmonia com a ocasião e local. Se for uma festa empresarial descontraída, com pedido de traje esporte sem paletó (business attire), a de manga curta é adequada. Na dúvida, o homem recorre à camisa de manga longa arregaçada até o cotovelo, arrematada com o próprio punho.

Mais espaço no lugar da mesa

“Somos seis amigas a comemorar o Natal juntas, em torno de mesa oval montada com capricho. Como abrir mais espaço à mesa?” IVONNE

– Uma ideia é usar porta-talheres, quem sabe cada par amarrado com fita vermelha. Mas se servir entrada de salada de camarões e prato principal de peru e companhia com troca de talheres, as pontas do garfinho para cima ficam apoiadas nas do maior (foto).

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