Celia Ribeiro: vintage comprova o vaivém da moda

O vinho de alta qualidade, diferenciado por uma excelente safra, torna-se vintage. Quem entende de vinhos guarda garrafas de safras privilegiadas, dependendo da espécie da bebida. Apreciar um bom vinho é um prazer sofisticado que se alimenta de boas informações.

Com a moda é a mesma coisa. Também é luxo, ainda que esteja bem democrática. Guardam-se roupas e complementos de alta qualidade, às vezes só pelo tecido marcante de um vestido, que pode ser transformado em saia na linha atual: uma vintage. É preciso ter olho clínico para escolher num brechó aquela bolsa de festa da grife Chanel dos anos sessenta em boas condições e harmonizável com um vestido de linhas clássicas.

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Há mulheres que são clássicas e atuais. Exemplos? Greta Garbo e Audrey Hepburn. Elas nunca saem de moda, é a maquiagem natural de Garbo e os olhos levemente puxados com o delineador de Audrey vestida por Givenchy. Já encontrar um sapato vintage aproveitável é complicado, devido à forma que foi ficando mais anatômica com o passar das décadas. Não acredito que os saltos altíssimos de hoje perdurem, serão certamente modificados. As plataformas de Carmen Miranda não voltaram diferentes?

(Getty images, reprodução, 1954)

(Getty images, reprodução, 1954)

A Rede Globo tem muitos bons figurinistas. Vi numa das novelas com guarda-roupa atual um vestido de alcinhas em que nas costas aparecia a parte superior como detalhe de um corselete branco com suas tiras cruzadas, sem cumprir a função de apertar a silhueta para vestidos até o final do século XIX.

Em 1954, a cintura era justa, mas os ombros deviam ser um pouco caídos, a ponto de a Du Loren ter desenvolvido um sutiã que marcava a estrutura da roupa

Em 1954, a cintura era justa, mas os ombros deviam ser um pouco caídos, a ponto de a Du Loren ter desenvolvido um sutiã que marcava a estrutura da roupa

Outro ponto importante nos blazers de brechós são os ombros, muito largos como nos dos anos cinquenta, que determinaram sutiãs com ombreiras maiores. Eles seriam bem aproveitáveis hoje como a parte superior de saias, shorts ou calças, com a barriga de fora.

Dicas masculinas

Os dândis, homens elegantes, até o final dos anos 1970 não usavam relógio de pulso com smoking e fraque, para não parecer que estivessem controlando o prazer da festa. Uma bobagem, convenhamos. Vi uma foto do filho de Caroline de Mônaco, de fraque cinza, com um flamante relógio no pulso esquerdo saindo do altar com sua noiva. Elegância de atitudes também é racionalidade.

Confrarias surgem nos clubes só para homens. Lembro que a primeira confraria foi surgiu no Plaza São Rafael, com a presença da jornalista Gilda Marinho, inteligente e bem humorada, que entrara na década dos setenta. Quando uma visita vai cozinhar, o anfitrião gourmet segue certos limites. Um deles é não colocar a colher para mexer no molho aveludado do outro, muito menos acrescentar um tempero seu, sem perguntar.

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