Clara Averbuck: Lidar com rejeição nunca é fácil

Foto: Pexels, Divulgação
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Nenhum tipo de rejeição é fácil, seja no trabalho, de um amorzinho ou daquele sujeito que você nem estava mesmo muito a fim. E cada um tem seu mecanismo para lidar com isso.

Já levei sei lá quantos foras na vida. Demorei pra aprender a parar de arrumar desculpas do tipo “ele teve medo”, “ele quer uma mulherzinha”, “ele não estava pronto”. Ele não quis porque não estava a fim, ou não estava a fim o suficiente, então já era. Não quis, não quis, tem quem queira.

Mas fica aquele amargor, né? Por que isso ocorreu? O que eu fiz? O que há de errado comigo?

Pode até ser que haja muitas coisas erradas com você. Somos humanas, afinal, e todo mundo é meio torto. Mas ficar se culpando não vai servir pra nada. Se você descobrir que o cara, sei lá, não gostava do jeito que você ria ou cruzava as pernas ou bebia, você vai fazer o que? Mudar? Por causa de um aí?

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É oquei rever atitudes quando vale a pena, refletir se houve algum vacilo de sua parte e etc. Mudar é bom, melhorar é uma meta diária na minha vida. Mas mudar porque alguém implicou com uma característica ou atitude sua, peraí, não. Nada de cair naquelas armadilhas de revista feminina “o que os homens detestam que uma mulher faça”. Alguém já viu uma lista de “coisas que as mulheres detestam que um homem faça” em revista masculina para que eles se policiem e tenham bons modos? As mulheres são sempre encorajadas a serem mais maleáveis, resilientes e blábláblá. É só olhar em volta e pra sua própria vida pra ver quantas vezes você cedeu antes de sequer tentar fazer o outro ceder. Somos criadas pra agradar. E já chega disso.

Não estou falando que não se deve negociar em um relacionamento. Isso é inclusive saudável quando feito em consenso. Estou falando de mudar porque um aí te desaprovou.

Ainda tem aquele outro tipo, o que te rejeita porque conclui que, porque você se interessou, quer contrair matrimônio, ter um casal de filhos e morar numa casinha com jardim. Já ouvi mil reclamações desse tipo, inclusive de homens gays que ficaram a fim de um cara que outrora era a fim deles e o cara espanou pois sei lá o que acha, que tem a pica de ouro. Menos, né. Bem menos.

Não há um manual de como lidar com rejeição, mas uma coisa é certa: a vida segue. Tem que seguir. Nada pode ser mais importante que isso.

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