Clara Averbuck: Lidar com rejeição nunca é fácil

Foto: Pexels
Foto: Pexels

Lidar com rejeição nunca é fácil.

Eu sei. Já entrei em fria, já entrei em quente demais, já caí em papinho. E também já fui rejeitada porque simplesmente não rolou. Acontece. Você quer. Você entra naquela espiral louca de planos e a pessoa não está na mesma. Acontece. Nenhum tipo de rejeição é suave, seja no trabalho, de um amorzinho ou daquele cara de quem você nem estava mesmo muito a fim. E cada um tem seu mecanismo para lidar com isso.

Já levei sei lá quantos tocos na vida. Demorei pra aprender a parar de arrumar desculpas do tipo “Ele teve medo”, “Ele quer uma mulherzinha”, “Ele não estava pronto”. Ele não quis porque não estava a fim, ou não estava a fim o suficiente, então já era. Não quis, não quis, nunca faltou quem quisesse e em determinado ponto quem não queria mais passar por aquilo era eu.

Mas fica aquele amargor, né? Por que isso ocorreu? O que eu fiz? O que há de errado comigo? Comigo? Comigo?

Olha, pode até ser que haja muitas coisas erradas com você. Somos humanas, afinal, e todo mundo é meio torto. Mas gostaria de dizer duas coisas e que você anotasse em um papelzinho e guardasse na carteira:

1. O mundo não é sobre você. O motivo pode não ter nada a ver com você. Exercite isso. Repita isso. O mundo não é sobre você.
2. Culpa nunca resolveu nenhum problema. Ficar se culpando não vai servir pra nada. Se você descobrir que o cara, sei lá, não gostava do jeito que você ria ou cruzava as pernas ou enchia a cara, você vai fazer o quê? Mudar? Por causa de um sujeito?

Tudo bem rever atitudes quando vale a pena, refletir se houve algum vacilo de sua parte e tudo mais. Mudar é bom, melhorar é uma meta diária. Mas, se o caso for alguma exigência de mudar porque um cara implicou com uma característica ou atitude sua, não. Para. Nada de cair naquelas armadilhas de revista feminina “O que os homens detestam que uma mulher faça”. Alguém já viu uma lista de “Coisas que as mulheres detestam que um homem faça” em revista masculina para que eles se policiem e tenham bons modos? Inclusive fica aí a dica, né? As mulheres são sempre encorajadas a serem mais maleáveis, resilientes e tal. É só olhar em volta e pra sua própria vida pra ver quantas vezes você cedeu antes de sequer tentar fazer o outro ceder. Somos criadas para agradar. Mas chega disso.

Não estou falando que não se deve negociar em um relacionamento, viu? Isso é inclusive saudável quando feito em consenso. Estou falando de mudar porque um aí te desaprovou.

A vida segue. Temos 7 bilhões de pessoas do mundo e algumas vão dar match. Outras não. E nossas vidas não podem e nem devem depender disso. Tem livro, música, filme, bebida, amigos, PAs, festas, ou, se você preferir, um tempo de reclusão e choro, mas só um tempinho, um lutinho. Lembre-se: a vida é sua, sim, mas o mundo não é sobre você. Então bola pra frente.

Leia mais colunas da Clara:
:: Clara Averbuck sobre o clipe de Anitta: “Quem vende empoderamento não pode empregar abusador”
:: Cuidem dos seus corpos, não do da coleguinha
:: Nunca vi tanta gente medicada, nunca vi tanta gente deprimida

Leia mais
Comente

Hot no Donna