Clara Averbuck: A Mulher-Maravilha e o amor romântico

Foto: Warner, divulgação
Foto: Warner, divulgação

Foi com muita expectativa que fui assistir ao novo filme da Mulher-Maravilha. Quando eu era pequena, não tinha muitas heroínas, e ela sempre foi a de quem eu mais gostei. Já sabia que o filme tinha o mote “Força, Justiça e Igualdade”, e só isso já me alegra: ver que nossas meninas terão exemplos de protagonistas fortes e mulheres guerreiras que não têm nada de recatadas e do lar ou dessa ideia de que o lugar da mulher é na submissão. Existe uma hierarquia entre as amazonas, que habitam a ilha de Themyscira, e são todas treinadas para o combate de uma guerra para a qual devem estar preparadas pois pode chegar a qualquer momento.

Diana peita a própria mãe, a Rainha de Themyscira, e vai atrás da tal guerra, que, na verdade, era a I Guerra Mundial. Lindo altruísmo, e de fato o inimigo estava lá. Amei a personagem, amei várias coisas, em especial sua tia, a amazona mais zica, Antíope, que desobedece as ordens da rainha e treina Diana desde pequena.

Em alguns momentos, me senti a própria Diana sendo alvejada por tiros em meio a uma guerra. Em muitos momentos, ri alto sozinha no cinema pois as piadas com o machismo da época (da época, será?) e as reações dela me divertiram de verdade numa sala apinhada de casais, já que eu fui assistir ao filme no dia dos namorados e minha filha furou comigo.

É difícil escrever sobre o filme sem dar spoilers, mas vamos lá: ela é a Mulher-Maravilha. Ela foi esculpida do barro e trazida à vida por Zeus para ser a única capaz de matar outro deus. Diana é uma deusa. Uma deusa na terra dos homens, uma filha de rainha, uma amazona treinada pra ser a melhor das melhores guerreiras de todas. Ela é a Mulher-Maravilha, gente. A Mulher-Maravilha!

Contudo: é só quando seu inimigo mexe com o amorzinho humano dela, o caucasiano herói de olhos azuis e corpo atlético que trabalha como espião e acaba na ilha das amazonas por um acaso, é que Diana atinge o auge de sua força. Quer dizer, sim, ela quis ir pra guerra, quis ir pro front. Sim, ela sabia que essa era sua missão. Mas mexeu no coração, BOOM. Ela explode.

Por que é que, sempre que se trata de uma super-heroína, o seu ponto fraco ou auge de sua força estão relacionados ao amor romântico? Elas não podem querer erradicar o mal, acabar com a guerra, vencer o inimigo sem passar por essa questão? Não dá pra ser só no altruísmo? Esse ponto me deu uma desanimada bem grande. Sempre vamos estar ligadas ao amor romântico? Eu acredito no amor. Eu já amei muito. Eu amo. E eu acredito no poder transformador do amor e entendo que Diana acredita que é isso que vai salvar a humanidade, não o ódio ou as guerras. Mas amor não se resume ao amor por outra pessoa, não é? Diana, amiga, vai dar uns rolê, encontra uns boy, dá umas sarradas, ouve Rihanna, se livra desse ideal pois é ele que, muitas vezes, acaba mesmo por ser nosso ponto fraco.

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