Clara Averbuck: O feminismo não é uma seita e não concordamos uma com as outras, pelo contrário

Foto: Pixabay
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É, ainda tem uma quantidade enorme de mulheres que vive a vida sob um viés feminista, trabalha, é independente, sexualmente livre, não vive em função de homem etc. e tem esse discurso.
E tenho uma triste novidade: se você “não é feminista, nem machista”, com certeza reproduz discurso machista em algum momento. Porque vivemos em uma sociedade com valores machistas, e isso é o normal, o aceitável, o corriqueiro, o que foge aos olhos destreinados a todo momento. Julgar a roupa da outra.

A vida sexual da outra. Acreditar em estereótipos de gênero e preferir conviver com homens do que com mulheres porque “é menos complicado”. Tudo isso é carregado de machismo. Tudo isso e muito mais, se você for parar para analisar suas ações. Mesmo as feministas vivem se policiando, porque ninguém nasceu pronta, ninguém nasceu feminista, ninguém nasceu sabendo. Estamos em constante construção e aprendizado.

“Mas, Clara, então eu sou OBRIGADA a ser feminista?”

Se você for uma pessoa sensata, sabe que não é obrigada a nada, mas o bom senso vai te levar para o lado que defende a libertação das mulheres. Ninguém é obrigada a ser militante feminista; viver sob uma ideologia feminista e militar são coisas bem diferentes, mas acredito que viver é um ato político, então, sim, sua existência também é um posicionamento.

Pode ser que você fique meio assim de se declarar feminista no começo, por causa de todos os estereótipos criados pra nos ridicularizar ou mesmo por não concordar com o posicionamento de algumas feministas – o feminismo não é uma seita e não concordamos todas umas com as outras, muito antes pelo contrário; cada uma constrói seu feminismo. Então, prometo: à medida que você for se informando, esse receio vai passar e você vai ter, além de orgulho, muita vontade de ajudar outras pessoas a buscar esse conhecimento tão esclarecedor e libertador.

Machismo é um sistema de opressão. Feminismo é uma busca por equidade e libertação. Portanto, antes de soltar a pérola “não sou feminista, nem machista” convém descobrir o que significa uma coisa, o que significa outra e de que lado você quer estar.

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