Clarissa Corrêa: por que a gente insiste em boicotar a felicidade

Espantada, percebi como às vezes me boicoto para fugir da felicidade. Nem sempre é fácil lidar com o que nos faz bem e eu sei que essa afirmação pode soar meio esquisita. Também sei que você pode me achar quase (ou totalmente) louca por confessar uma coisa desse tipo, afinal, quem não quer ser feliz?

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Percebo que quando tudo vai muito bem preciso inventar um problema, criar algum caso, pensar numa tragédia grega ou algo semelhante. O estar-tudo-bem me incomoda de um jeito surpreendente. É claro que nada disso é consciente, se fosse ia pedir urgente uma internação no sanatório mais próximo. Mas é extremamente difícil lidar com aquilo que me faz bem.

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De uma forma que ainda não descobri, a felicidade é um bicho de muitas cabeças. E essas cabeças ficam girando feito a da menina do filme O exorcista. Não me permito ser feliz, prova disso é que sempre que um projeto engrena, minha vida pessoal está maravilhosa ou meus planos saem exatamente como sonhei acho que vou descobrir uma doença terrível e maligna ou fico na expectativa de que algo ruim ou chato aconteça. E olha que não sou pessimista, tampouco tenho energia pesada. Apenas penso que ser feliz é para os outros. 

Não consigo relaxar e curtir cada segundo dos momentos de glória e paz. Fico pensando no depois, no e-quando-terminar, no próximo passo. Não curto os instantes da caminhada, me foco no que virá. Uns dirão que é insanidade, outros confessarão que também pensam e sentem da mesma forma. O fato é que esse padrão de comportamento é cansativo, desgastante e um pouco maluco.

Eu quero ser feliz, juro. Mas essa tal felicidade é como um monstro que vive correndo atrás de mim. Por isso, fujo sempre que posso. Espero um dia ter a coragem necessária para resistir bravamente e me atirar nos braços dela sem pensar no amanhã.

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