Cláudia Laitano: por que amamos Audrey

Ela aparece em todas as listas das estrelas mais bonitas de todos os tempos, mas beleza, elegância e charme, isolados, não explicam o mistério de sua permanência no imaginário de fãs do mundo todo há tanto tempo. Mais de 20 anos depois de sua morte, referências a Audrey Hepburn (1929 – 1993) são ainda frequentes na moda, no cinema, na TV, em livros de etiqueta, manuais de maquiagem, publicidade em 2013, uma versão computadorizada assustadoramente convincente da atriz estrelou um comercial de chocolate.

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“Algumas pessoas morrem e deixam para seus filhos um restaurante, uma loja de sapatos, um hotel, e a cada vez que o filho passa por aquela porta giratória do hotel ele enxerga seu pai, esse tipo de coisa. Eu aprendi que posso caminhar por qualquer local do mundo que haverá uma foto da minha mãe, e tenho certeza de que também é assim no Brasil”, disse Sean Ferrer, 55, em entrevista concedida há poucas semanas ao ator e roteirista brasileiro Octavio Caruso (“Sim, no meu quarto, por exemplo, tem uma foto dela, que estou vendo nesse momento”, respondeu na hora o entrevistador).

Filho mais velho da atriz e responsável por administrar a ativa carreira póstuma da mãe, Ferrer conta na entrevista que a estrela que estreou no cinema fazendo o papel de um membro da realeza europeia (A Princesa e o Plebeu) envergonhava-se por não ter podido completar os estudos, interrompidos durante a II Guerra. Para compensar as limitações do ensino formal e para se sentir mais segura como atriz, tornou-se uma leitora aplicada. Estudava em profundidade tudo que envolvia o universo dos personagens que interpretava e, mais tarde, como embaixadora da Unicef, dedicou-se com o mesmo empenho a conhecer a realidade de cada país que visitou.

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As mulheres mudaram muito desde os tempos em que as personagens de Audrey Hepburn andavam de lambreta pelas ruas de Roma ou tomavam café da manhã em frente à joalheria Tiffany’s. Muitas estrelas da geração dela projetaram uma imagem de feminilidade que se tornou anacrônica ou perdeu o diálogo com as novas gerações: Marilyn Monroe era a diva exuberante, mas dependente e frágil, Grace Kelly era a musa sofisticada, mas inacessível.

Audrey Hepburn conseguiu associar sua imagem a valores que ultrapassaram sua juventude e mesmo sua própria vida. Um sentido de elegância muito próprio que não vinha das roupas ou do sex appeal. Algo que parece se nutrir de delicadeza, simplicidade e de uma conexão genuína com tudo e todos a sua volta. Atributos que as pessoas podem admirar como um ideal – mas que não são essencialmente inatingíveis.

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