Claudia Tajes: a criança que não fui

Fotos: arquivo pessoal
Fotos: arquivo pessoal

No Dia dos Pais recebi o e-mail de um senhor que não achou a coluna edificante. Na ocasião contei algumas histórias sobre um pai brabo, mas que nem por isso deixava de ser amoroso. E que sempre foi a maior referência de força e honestidade para os seus filhos só que tinha um gênio de cão, fazer o quê? O leitor não gostou. Agora, pensando em alguns causos da infância, fico pensando se não vou causar a mesma impressão. Mas como não tenho muita certeza do que venha a ser uma coluna edificante, e por ter uma queda pelas pequenas tragicomédias do cotidiano, seguem algumas recordações enviesadas.

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Fui uma criança que não sabia brincar. Passava em casa enquanto as irmãs espraiavam as bonecas pelos apartamentos das amigas. Aos sete, oito anos, já sem a graça das pequeninhas, era uma menina meio ameba, além de servir de emissária das primas mais velhas para conseguir que o avô liberasse o Banco Imobiliário – jogo que ficava trancado em um armário junto com os livros da casa. Engraçado isso, os livros trancados em um armário. Em uma dessas, depois de pedir o jogo inúmeras vezes, sempre a mando das mais velhas, ouvi do meu avô: – Mas essa guria é mais chata que um vendedor. Minha resposta, da qual lembro bem até hoje: – Que mentira de quem disse, “oh, que saudade que eu tenho/da aurora da minha vida/da minha infância querida/que os anos não trazem mais”. E a minha avó: – Aldo, dá o Banco Imobiliário pra ela. 

Outra coisa que eu fazia era escrever. Minha mãe comprava cadernos em que eu escrevia sem parar, e isso desde que aprendi a juntar as letras. Meus pais sempre incentivaram a leitura e tratavam aquelas historinhas como se fossem grandes obras, corrigindo os (muitos) erros e comentando o (inexistente) estilo. O único problema é que eu mantinha um outro caderninho, escondido de todos, onde escrevia a minha literatura B, digamos. Se me desentendia com uma colega de aula, era certo que ela seria desancada em duas páginas que podiam se intitular “Adriana, a mais burra do colégio”. Aconteceu que eu andava de implicância com uma senhora de idade, amiga da família, e tive a péssima ideia de narrar a saga dela em meu caderno proibido: “Dona Fulana, uma cavala cagada até os olhos”. Não me pergunte a razão do título ou o conteúdo, mas é claro que a minha mãe achou. E mostrou para o meu pai, que queria mostrar para a dona Fulana, mas a minha mãe não deixou e os dois brigaram, e a minha mãe me deu uns safanões de um lado e o meu pai me deu uns safanões do outro, e meu caderno proibido acabou confiscado e destruído. Foi a primeira vez que percebi como escrever doi.

Nunca gostei de ser criança, queria crescer logo e, talvez por isso, fui uma criança meio velha. Já o meu filho, não faz muito, largou essa: mãe, muito obrigado pela minha infância. Para quem não soube aproveitar a aurora da vida, um presente para alegrar o Dia do Adulto. Até o fim dos tempos

Aceita uma sugestão de presente para a criançada? A Creche Santa Zita de Lucca, que atende mais de 300 crianças e jovens com educação infantil, atividades extraclasse e até cursos profissionalizantes, precisa de recursos para continuar trabalhando na vila Maria da Conceição. É possível contribuir pelo programa da Nota Fiscal Gaúcha (www.nfg.sefaz.rs.gov.br ), indicando a Santa Zita como instituição beneficiada, ou ainda destinando a parte dedutível do Imposto de Renda para a creche. Sem falar que muitas das crianças atendidas esperam pelo maior de todos os presentes: a adoção. Maiores informações pelo fone 51 33361880 ou no e-mail st.zitadelucca@gmail.com.

A criançada que hoje ilustra a coluna, com a devida autorização dos pais, é para lembrar que este domingo, talvez mais que todos os outros, e por tudo o que pode representar no futuro, é mesmo um dia lindo.

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