Claudia Tajes: A vida com mulheres

Já citei aqui, bem rapidamente, Homens sem Mulheres, o mais recente livro do escritor japonês Haruki Murakami. Em todos os sete contos, homens sem mulheres – não só nos relacionamentos amorosos – reagem de diferentes formas, e todas tristes, às ausências delas em suas vidas.

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Em um dos contos, Sherazade, um homem chamado Habara está isolado do mundo – não se sabe por quê. Ele recebe, duas vezes por semana, a visita de uma mulher que lhe abastece a geladeira e lhe preenche a cama, ambas as tarefas cumpridas no automático. Habara nem dá tanta importância para a tal mulher. Um dia, porém, inseguro sobre a continuidade das visitas dela, ele percebe que sua vida pode ser pior sem aquele alento: ” (…) Mas o que era mais difícil para Habara não era a falta de sexo em si, mas a possibilidade de não poder mais compartilhar um momento íntimo com as mulheres. Perdê-las, no final das contas, era isso. Um momento especial, que anula a realidade mesmo fazendo parte dela: era o que as mulheres proporcionavam”.

O poder de anular, nem que por alguns minutinhos, a dura realidade do outro. Se não fosse por mais nada, eu iria querer as mulheres da minha vida sempre por perto só por causa disso.

 

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Falando em mulheres por perto, e com o policiamento cada vez mais distante da gente, vale lembrar o movimento Vamos Juntas, que começou por iniciativa da jornalista Babi Souza. Ela propôs que mulheres que se conhecem – ou não – percorram juntas seus trajetos até a escola, a faculdade, o trabalho. Uma solução simples para enfrentar assaltos, estupros, sequestros e tudo o mais que vêm na cola das cidades cada vez mais violentas. Informações e experiências em facebook.com/movimentovamosjuntas.

Luciano Alabarse, que sabe das coisas, está cercado de mulheres em sua nova peça. O Lugar Escuro, de Heloisa Seixas, mostra avó, filha e neta às voltas com o Mal de Alzheimer que muda o cotidiano e as relações das três. No palco, Sandra Dani, Vika Schabbach e Gabriela Poester são as atrizes dirigidas por Luciano. A partir de 11 de março, de sextas a domingos, no Instituto Goethe.

E só porque o 8 de março está aí, encerro com a capa da New York Magazine, que afirma: as mulheres solteiras são hoje maior força política da América. Viu no que deu não acreditar mais naquela historinha do príncipe montado em um cavalo branco?

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