Claudia Tajes: Arrumar um lugar para passar o Réveillon acaba virando um estresse

Foto: Pexels
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Nesses últimos dias de dezembro, talvez ainda mais que desejos de um Natal e de um 2018 felizes, o que mais se ouve é: onde mesmo tu vai passar o Ano-Novo?

Tanto quanto o Carnaval, e mais do que nos outros feriados quentes do calendário, passar o Réveillon em algum lugar – de preferência com praia, não importando a quantidade de viventes por centímetro quadrado na areia e a de coliformes por milímetro cúbico no mar – é obrigação. Mais: é a primeira grande dificuldade a ser vencida a cada início de ano.

Os previdentes, prevenidos que são, tratam de resolver o assunto lá por agosto. Com abundância de opções, pagam os melhores preços em voos, aluguéis, hotéis. Estão de malas prontas no começo de novembro, preparados, inclusive, para alguma chuva inconveniente ou uma frente fria de última hora. Os previdentes existem, mas não são tantos assim. Para todos os outros, arrumar um lugar de última hora para passar o Réveillon acaba virando um estresse.

O Ano-Novo é também o grito de independência da família. Se do Natal não se espera outra coisa que não um peru no meio da mesa e a maior quantidade de pessoas que se consiga reunir em volta dela, é no Réveillon que os filhos podem fazer seus programas sem se preocupar muito com quem fica. Convite para passar no amigo que tem casa na praia, quarto de pousada a ser dividido com um bando, acampamento em algum canto que ninguém conhece. O melhor conselho que pude dar ao meu filho, quando ele começou a curtir o Ano-Novo em locais tão paradisíacos quanto ermos, foi: muito cuidado com o tarado da cachoeira. Porque, ao menos na minha época juvenil, não faltavam histórias de tarados que surgiam do nada para mostrar o pinto para os outros em inocentes passeios a uma cachoeira. Em tempos idos, até a maldade do mundo era mais ingênua.

E então, superada a fase em que é preciso arrumar um paradeiro para que ninguém entre o ano de cara amarrada em casa, não há melhor lugar para se fazer a transposição do que a cidade em que se vive. É muito bom. O pessoal debanda e ficamos só nós, os donos do campinho. Bem verdade que, agora que sumiu o serviço de capina das ruas e praças, o campinho parece um matagal. Isso somado à temperatura sempre alta pode dar a impressão de um Réveillon na África selvagem, mas não. É Porto Alegre mesmo.
E tem coisas legais para quem fica, ah, se tem. O Atelier de Massas, o Del Barbiere, o Suprem, o Chicafundó, o Orquestra de Panelas, O Butiá, o Sakura e o eterno Sakae’s, para citar alguns restaurantes onde sempre se volta. Também é interessante ver que Porto Alegre, muito na maciota, está virando uma embaixada do jazz. Começa com o clube da dona Ivone Pacheco, que hoje abre quatro vezes por ano com a fundadora bem assessorada por Rosa, a filha que mantém a mística da casa. Segue com o POA Jazz produzido por Carlos Badia e Bruno Melo – e vem aí o Gramado Jazz. Fora a gurizada que anda matando a pau, caso da Kula Jazz e da Marmota Jazz.

A Marmota Jazz, aliás, acaba de lançar um disco e está fazendo uma série de shows com o cantor Pedro Verissimo. Para quem quiser começar o ano ouvindo um sonzaço, eles se apresentam juntos no Espaço 373 em janeiro.

Mas como resta uma semana para pular 2017, aproveito para desejar que o Natal – seja onde for – traga uma noite feliz para todos. E o lugar do Ano-Novo, esse fica para decidir depois. Ainda há esperança enquanto há tempo.

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