Claudia Tajes: bom pra tosse

Há muitos anos vi um comercial da Telefônica da Argentina que mostrava a comunicação através do bocejo. Nada mais verdadeiro. Basta alguém bocejar para começar a corrente e os outros em volta nem precisam estar com sono. Me contaram que hoje em dia tem um comercial assim no ar. Mas que os hermanos fizeram antes, fizeram.

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Na categoria “o corpo fala”, outra manifestação que provoca uma avalanche de repetições é a tosse. Mas sem a delicadeza de um bocejo, evidente. O bocejo é discreto. Pode-se bocejar de boca fechada apenas engolindo o ar, dilatando um pouco as narinas e piscando os olhos – marejados pelo esforço de disfarçar o bocejo. Essa tática é muito útil se a gente está na presença do chefe. Muitos já tiveram a carreira na empresa abreviada ao bocejar quando o seu diretor disse, pela décima-quinta vez na semana: um bom chefe faz com que homens comuns façam coisas incomuns. Como o pessoal que manda na gente adora uma frase feita, é melhor praticar o bocejo invisível.

É grave, doutor?

É grave, doutor?

Manifestação que também pode ser controlada com certa facilidade é o espirro. Aqueles que espirram aos berros não vão concordar com isso. Para todos os outros existe a possibilidade de trancar o dito cujo, o que os médicos e as avós desaconselham. Não que não seja bom espirrar, o momento é que, às vezes, não comporta. Exemplos: durante uma solenidade, em pleno beijo, na hora de dizer se aceita a/o noiva/o em casamento, ao tomar posse no Governo, etcetcetc. Parece que o espirro é a segunda sensação mais forte do corpo depois do orgasmo. A respeito disso um conhecido, homem desencantado, certa vez declarou: meus orgasmos não estão valendo nem um espirro. Pobre homem.

A roupa perfeita para os dias de cof-cof-cof

A roupa perfeita para os dias de cof-cof-cof

Já sobre a tosse, algum figurão cunhou: a tosse e o amor são incontroláveis. Mais a tosse, na minha opinião. Quando começa aquela agonia na garganta, mistura de coceira com vontade de gritar, só sendo muito guerreiro para conseguir segurar. Notou que, em um show, o primeiro que se atreve a tossir dá origem a um coral de cof-cof-cofs? É como se todos quisessem fazer o mesmo, mas precisassem antes de um salvo-conduto. Se bem que, nos últimos tempos, a coisa anda mais livre. Com esse clima inconstante que não contribui em nada para a saúde do vivente, o que mais tem é gente tossindo por aí. Lá em casa nem sabemos mais como é viver sem tosse – a famosa tosse de cachorro. Nosso médico, o doutor Jarbas, só falta falar em transplante. E foi quase isso que eu pedi quando, no lançamento da coletânea dos textos que saem aqui na revista Donna, vi o doutor J.J. Camargo. Brincadeira, que esse é um assunto sério e as emergências estão lotadas de crianças e adultos com problemas respiratórios, bem sei. É que tossir como se não houvesse amanhã cansa a beleza do sujeito. Mas enquanto essa umidade às vezes gelada, em outras tórrida, não nos der sossego, para usar uma expressão gaudéria – e não deixar esse 20 de setembro passar em branco na coluna -, estaremos na capa da gaita.

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Sempre dá para tentar as soluções caseiras: chá de alho, cebola vermelha crua com mel. Minha pergunta é sobre os efeitos colaterais do tratamento: o que é que a gente faz com o bafo?

Contra tosse braba, um xarope fumeta

Contra tosse braba, um xarope fumeta

Antes que alguém disfarce o bocejo, até a semana que vem. E só para lembrar, se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado. Nos vemos no Pronto Atendimento.

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