Claudia Tajes: Braços abertos para a arte

Resistir é preciso. Mas não deixa de espantar espanto do bem, para variar a força com que alguns seguem tocando projetos e iniciativas que, em tese, precisariam de muito mais apoio para vingar. Só pode ser a velha filosofia do não podemos se entregar pros homens a garantir, no meio da crise que nos rói, as portas abertas dos museus, dos teatros e mesmo de muitas escolas, o Porto Alegre Em Cena nos palcos e a nossa querida Feira do Livro, que vem aí.

Dentro desse combo com a marca de Porto Alegre, a 10ª Bienal do Mercosul também chega valente. Bem quando o Centro se enfeita com os jacarandás que, indiferentes à feiura da situação, deram flor mais cedo neste ano, a Bienal vai ocupar a Casa de Cultura Mario Quintana, o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, o Memorial do Rio Grande do Sul, o Margs, o Museu Júlio de Castilhos, o Santander Cultural, a Usina do Gasômetro e também o Instituto Ling. De 23 de outubro a 6 de dezembro e com o conceito Mensagens de uma Nova América, que retoma a ideia de focar exclusivamente em artistas latinos, serão exibidas 700 obras de 402 artistas vindos de 21 países.

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Um dos trabalhos mais importantes da 10ª Bienal do Mercosul acontece do lado de fora das salas de exposição: é o Programa Educativo, conjunto de atividades como formação de mediadores, encontros para professores, publicação do material educativo e agendamento de visitas. Nesta edição, a coordenadora é a Valência Losada, que já fez chover em outras áreas da Cultura – na última, trabalhando com a dona Eva Sopher e equipe em outro orgulho da gente, o Theatro São Pedro.

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Gente que faz: a turma do Programa Educativo

Até o nome do Programa Educativo é bonito: Possibilidades do Impossível. Segundo o curador, Cristián G. Gallegos, “um convite para questionar as barreiras que somos capazes de criar quando nos encontramos no campo da arte e da educação (…)”. Em livre tradução, o Programa Educativo da Bienal da Mercosul existe para ajudar que crianças, jovens e adultos percam qualquer receio e se aproximem da arte.

O Programa Educativo tem ainda uma linha de trabalhos específicos para a 10ª Bienal que incluem deslocamentos para escolas e outros ambientes, artistas e a comunidade interagindo em espaços coletivos, diálogos, debates, intercâmbios e muito mais. Com tantas ações de integração, o público acaba vivendo a mostra, seus conteúdos, obras e temáticas antes mesmo de ela começar. E assim a Bienal garante aquela que tem sido, desde sempre, uma de suas maiores atrações: pessoas lotando as salas. É para elas, no fim das contas, que existe essa aventura chamada arte.

A respeito do texto da semana passada em que um amigo declarou que se sentia um bombom de figo por ser esse o que sempre sobra na caixa, um aviso às interessadas que me pediram o e-mail dele: o rapaz começou a namorar logo depois da coluna. Santo Antônio ganhou uma concorrência esforçada. E ainda sobre o figo, um aviso dos leitores Luiz Ernani Silveira de Souza e José Gomes Lisboa. A imponente figueira com a qual ilustrei a página não dá o figo que vira bombom – esse fruto, ou pseudofruto, de um pé bem mais modesto. Mil desculpas pela ignorância e fica o registro.

Fotos: Camila Cunha, indicefoto.com

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