Claudia Tajes: cavalheiros x bagaceiros

Muita gente viu, passou adiante e comentou o vídeo da moça vestida de preto que, sem expor nada do corpo, sem rebolar, sem sensualizar, apenas seguindo o seu caminho, ouviu mais de cem cantadas em algumas horas. Desde galanteios mais ou menos simpáticos a grosserias que ninguém merece escutar. Se estivesse de saia curta, diriam que era por causa da saia. Se estivesse com um decotão, que ninguém mandou se mostrar. Assim, discreta, faltou justificativa para quem acha que a culpa por despertar a libido da rapaziada é das gurias. E sempre tem quem ache.

Tempo bom aquele em que os cavalheiros eram maioria no mundo. Bem verdade que não peguei essa época, quando nasci as coisas estavam configuradas mais ou menos como hoje. O feminismo já havia condenado certas atitudes que, na minha opinião, não têm a ver com sexismo, mas com educação. O bagual abrir a porta do carro ou deixar a prenda andar pela parte de dentro da calçada, por exemplo. Bobagens, frescuras, até, mas fazer o que se a gentileza é extremamente sedutora?

 

:: Veja outras colunas de Claudia Tajes

Outro ponto forte de um cavalheiro, e que contraria o que muitos imaginam: a civilidade no trânsito. Em lugar de dirigir como o Tom Sem Freios, prudência e paciência ao volante – uma combinação quase afrodisíaca. De onde mesmo o pessoal tirou que o bacana é buzinar como um maníaco e correr como um degenerado? No filme argentino Relatos Selvagens, que vai concorrer ao Oscar e está em cartaz em Porto Alegre, um dos episódios mostra dois motoristas se engalfinhando até descambar para o pastelão. E os valentes que se pegam a socos no meio da rua por causa de uma fechada? Mal sabem eles que o poder do homem gentil é bem maior, mais potente e mais duradouro que o de ter um carrão.

 

00a73335Tom sem freios, o exemplo para muitos motoristas

Vinicius de Moraes: “Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro – seja lá como for.” A todos os cavalheiros das minhas relações, os reais e os virtuais, sinceros agradecimentos por resistirem.

 

Já sobre os bagaceiros do título, desses talvez seja melhor nem falar. O vídeo da moça de preto caminhando por Nova York mostra vários deles, sinal de que sussurrar bandalheiras e fazer aquele som de “shhhhlllurrrrpppp” quando passa uma mulher é um hábito universal. Pior que, em muitos casos, enquanto ficarem só olhando e botando a linguinha para fora, ainda estaremos no lucro.

 

00a73334O tipo que manda flores? Sim, a gente gosta!

Duas leitoras, a Maria da Graça e a Liane, apontaram um erro cometido na coluna do dia 26 de outubro: em vez de “mal humorado” cravei “mau humorado”. Me justifiquei como deu, disse que talvez tenha inicialmente escrito “mau humor”, com o andar das linhas mudei isso e aquilo e acabei me passando na revisão. Odeio cometer erros de português, ainda mais em público. Estava quase me recuperando do golpe quando a Liane, que é professora, avisou que usaria a coluna com o erro como um alerta para os alunos. Sempre quis entrar nas salas de aula, mas não pelos meus equívocos. O jeito é trabalhar bastante e revisar mais ainda para, um dia, chegar lá. Mas pelos motivos certos.

 

 

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna