Claudia Tajes: Caxumba com filme

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Quando criança, estar doente era mais do que a chance de dormir até mais tarde nos dias de aula – e de ganhar atenção extra da mãe: era algo que engrandecia a gente diante dos colegas. Lembro de ficar de molho na coqueluche, na caxumba, no sarampo (naquele tempo ainda se pegava sarampo), na pneumonia e nas tantas gripes já pensando na volta às aulas. Não para estudar, por supuesto, mas para contar – com detalhes – todas as complicações da mazela. A caxumba deu nos dois lados, nem respirava direito por causa da pneumonia, quase morri tossindo com a coqueluche. Quanto piores os sintomas, mais heroica a jornada.

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Uma das minhas frustrações era a de jamais chegar aos 40 graus de febre. Quarenta graus, algo de que se gabar. Meu sonho era ser como uma amiguinha, a Adriana, que usava bombinha para asma. O menino da terceira série que teve uma apendicite: mito. Os que quebravam um braço ou uma perna, então, esses contavam com a minha mais sincera inveja. Daí cresci e aprendi, em poucas doenças, que nada se compara a andar pela vida cheio de saúde. Peguei catapora depois dos 30, um horror. O que para a pequena (e estúpida) criança que fui parecia algo desejável, a idade se encarregou de desmentir.

O que a gente faz depois que cresce: trata de vacinar a prole para garantir que ela nunca contraia uma doença evitável. Mas agora há pouco, quando começou o surto de caxumba em Porto Alegre e arredores – acho que dá para chamar de surto –, não me ocorreu sugerir ao meu guri, já nos seus 20 e pouquinhos saudáveis anos, que se vacinasse. Resultado óbvio: caxumba nele.

Quase duas semanas depois, as bochechas ainda lembram as do Fofão, mas a febre que subiu a mais de 40 graus e o mal-estar agudo ficaram para trás. A caxumba é uma doença bem chatinha, pede médico e remédios para segurar o tirão, amor e carinho para afastar a tristeza. E é bom que o doente se isole para não contaminar meio mundo. Nesse período solitário, eu e ele viramos outra vez a mãe cuidadora e o filho indefeso – confiando em mim daquele jeito como só os filhos indefesos confiam. E dessa parte, mas só dessa, gostei. A viagem no tempo, quem diria, também foi um dos efeitos da caxumba.

E para que a doença não deixe sequelas, segue a recomendação do doutor Tiago Rosito, da Clínica ProUro: em até 30% dos homens adultos a caxumba pode “recolher”, ou seja, causar a orquite – que pode levar à infertilidade. Por isso, o diagnóstico precoce é importante. Aos primeiros sintomas, já sabe: tem que consultar o médico e seguir direitinho o tratamento. Suas futuras gerações agradecem.

"Nós duas descendo a escada": já viu? (Foto: Divulgação Lança Filmes)

“Nós duas descendo a escada”: já viu? (Foto: Divulgação Lança Filmes

Outra coisa para contagiar geral, mas essa no bom sentido, é o lançamento de Nós duas descendo a escada. A comédia romântica do diretor Fabiano de Souza mostra o relacionamento de duas mulheres, papéis das atrizes Carina Dias e Miriã Possani. É “uma paixão com Porto Alegre de fundo e o vento soprando os dias. Entre a primavera e o inverno, entre o céu azul e o algodão das nuvens, elas redescobrem que a intimidade tem seus encantos. Nove meses, nove escadas e nove estações do amor”. Tudo isso com música original do Frank Jorge e só gente boa na equipe e no elenco. Em um cinema perto de você – mas é melhor ir logo, porque nunca se sabe por quanto tempo a delicadeza vai resistir em cartaz.

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