Claudia Tajes: consultoria para aparentar juventude

Não quer que saibam a sua verdadeira idade? Nunca diga: Vou comprar uma calça de brim. Diga: Vou comprar um jeans. Também vale usar todas as variações desse tipo de peça: skinny, flare, boyfriend, bootcut, oversized e o que mais a moda inventar. Calça de brim, minha amiga, é do tempo em que a gente fazia touca para alisar o cabelo. Aliás, nunca diga que faz touca para alisar o cabelo. Diga que faz escova progressiva, definitiva, japonesa, de chocolate, de ouro ou o que mais estiver em evidência para parecer que você não nasceu crespa. Crespa, não: curly.

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Não quer entregar que não cozinha na primeira fervura? Jamais diga: “Eu não cozinho na primeira fervura”. Diga: “Sou vintage”. Nunca anuncie que vai pegar uma “kombi”, modelo das primeiras lotações que circularam pela cidade. Não avise que está indo para a ginástica, fale: “Vou treinar”. E também: “Tenho um personal”. Já sofri muito bullying (não diga “deboche”) por falar “professor de ginástica”.

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Se todo inverno fosse igual a você…

Se as coisas estiverem bem, em hipótese alguma apregoe (melhor evitar “apregoe”) que a vida corre “a todo vapor”. Em tempos de trem bala, imaginar um vapor cruzando a planície dá a impressão de que você anda é devagar – quase parando. Outra expressão que entrega a idade: “De grão em grão a galinha enche o papo”. As gerações mais jovens pensam que galinha nasce em pedaços no supermercado, jamais entenderão a figura de linguagem como exemplo de persistência. A palavra “persistência”, mas daí por outras razões, também não será compreendida.

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Sol, vê se vai brilhar no Sul

Não pergunte: “Onde fui amarrar meu burro?”. Além de parecer que está se comunicando com alguma língua morta, pode dar a impressão de que você maltrata os animais. Ao sair com a patota, nunca diga “patota”. Até “miguxos”, em que pese a conotação emo, será melhor para a sua imagem. Mas saca as gírias dos anos 70 e 80? Delas você pode abusar sem medo. Exemplos: “bicho”, “bacana”, “massa”, “joia”, “bode”, “goiaba”, “fazer a cabeça”, “papo furado”, “pão”, “broto” e muitas-muitas-muitas mais.

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O Arpoador é joia

“Pela madrugada”, “pelas barbas do profeta”, “isso é de mil novecentos e guaraná de rolha” ou “isso é de mil novecentos e lá vai bolinha”, “sacudir o esqueleto”, “na crista da onda”. Conselho para quem quer parecer jovem para sempre (vai que alguém queira): esqueça essas expressões. Ou então assuma que a linguagem é bonita mesmo com tantas ruguinhas e solte o verbo. Pessoalmente, eu me divirto falando assim. Mas não me chame de cafona. Eu sou retrô.

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Só uma coisa a dizer: chuchu beleza

Recado importante: para doar alimentos, roupas, móveis, cobertas, colchões e o que mais for possível para as vítimas das enchentes do Estado, entre em contato com a Defesa Civil pelos fones (51) 3288-6781 e (51) 8443-7446.

As fotos do Rio de Janeiro que ilustram a coluna não têm nada a ver com o assunto. São apenas imagens de um inverno sem chuva – como a gente espera que seja no RS daqui para a frente. Só para relembrar a vida ao ar livre – e também porque achei as imagens do balacobaco. Na torcida para que tudo melhore por aí.

Fotos Theo Tajes

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