Claudia Tajes: Coração desarmado

(Crédito: reprodução)
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Sobre esse movimento que alguns vereadores de Porto Alegre lançaram, Armas pela Vida (?????), comentou o Caue Fonseca, repórter de Donna, com muita presença de espírito: é como fazer a campanha Orgias pela Castidade. Mesmíssima coisa.

O assunto é um vespeiro e não espero escapar da artilharia dos que defendem, e com orgulho, um três oitão para cada cidadão. Segundo eles, já que os bandidos andam armados, nada mais justo do que as pessoas comuns se armarem também. Nessa perspectiva, seria até bom aproveitar a tal reforma do ensino para incluir aulas de tiro no currículo da gurizada. Armas para todos, que ideia de jerico.

Ah, sim, as armas serão registradas, todos terão porte e sei lá mais o quê. E serão usadas apenas para a defesa de seus donos, famílias e propriedades. Se isso vingar, crianças, nunca mais briguem no trânsito. Vai saber se o destemperado que hoje só te ofende com todos os palavrões já criados não vai surgir com um revólver na janela do carro.

"Calibre 22": contos de Rubem Fonseca em abril (Foto: Zeca Fonseca, Divulgação)

“Calibre 22”: contos de Rubem Fonseca em abril (Foto: Zeca Fonseca, Divulgação)

A campanha lançada para uma turma uniformizada com camisetas verdes no Parcão (não confundir com os participantes da cervejada de Saint Patrick) tem por símbolo um revólver dentro de um coração. Trabalhando em propaganda por um longo tempo, já tinha visto aplicarem de tudo na ilustração de um singelo coraçãozinho, mas sempre com a intenção de transmitir amor: um brinquedo, um anel, um livro, um doce, até salsicha já vi enfiarem em um coração. O revólver ali é a nova definição de mau-gosto do meu dicionário.

"Romancista como vocação", livro de Huraki Murakami que será lançado em abril (Crédito: Reprodução)

“Romancista como vocação”, chega em abril (Reprodução)

Os defensores do armamento pregam que o civil de revólver na mão vai espantar os criminosos na base da bala. Arrã. Bom para o Governo, que pode continuar omisso quanto à nossa segurança. Um dos argumentos do pessoal que diz que “quem se arma, ama” (?????) é que é incoerente ser contra as armas e a favor do aborto, por exemplo. Nesse instante meus dois únicos neurônios vão e voltam e vão e voltam e não conseguem conectar as informações. Então, eu desisto de entender e vou procurar a minha turma. Que, felizmente, e em sua grande maioria, acredita que armas nunca serão pela vida. O resto é demagogia.

Para quem gostou do primeiro, vem aí o "T2 Trainspotting"

Para quem gostou do primeiro, vem aí o “T2 Trainspotting” (Reprodução)

Em lugar de armas, um filme e dois livros. Vinte e um anos depois do lançamento de Trainspotting, T2 Trainspotting estreia nos cinemas para mostrar o que foi feito dos personagens do primeiro filme. E é bom contar os dias para abril chegar. Logo no início sai Romancista como Vocação, de Haruki Murakami, ensaios sobre a escrita e a vida com todo o talento do mestre japa. Em seguida Rubem Fonseca lança Calibre 22, 31 pequenas narrativas e a volta de Mandrake, o advogado que investiga. Esse, sim, um calibre que vale a pena deixar na cabeceira.

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