Claudia Tajes: Devagar quase parando

Porto Alegre tentando avançar
Porto Alegre tentando avançar

Não sou eu, que mal cheguei, que digo. São os cariocas em geral, motoristas, caronas, taxistas, passageiros, pedestres e ciclistas, que falam: o trânsito do Rio de Janeiro é um dos piores do mundo.

Fundamentando a afirmação com dados de pesquisa. O Rio de Janeiro tem, na verdade, o terceiro pior trânsito entre 146 cidades segundo a empresa holandesa de tecnologia de transporte TomTom. Feita em 2015, a pesquisa utilizou dados de GPS e de aplicativos de celulares – como o Waze. Aliás, o que seria da gente sem o Waze para indicar os caminhos menos congestionados?

De acordo com o mesmo estudo, o pobre do carioca perde em média cem horas por ano parado em engarrafamentos. A situação só é pior em Istambul, na Turquia, e na Cidade do México – respectivamente, primeira e segunda colocadas no ranking.

No Brasil, o Rio lidera e depois aparecem Salvador, Recife, Fortaleza e São Paulo. Porto Alegre nem figura na lista dos piores trânsitos, apesar de que a coisa não anda fácil – sem trocadilho. Perimetral de manhã cedo e da metade da tarde em diante, Ipiranga, Nilo, 24 de Outubro, Ramiro, Farrapos, Bento Gonçalves, Sertório, o Centro todo, e por aí vai, ou melhor, não vai. Será mesmo que Porto Alegre não merecia um lugar neste ranking?

Assim até fica bonito: luzes na noite de São Paulo

Assim até fica bonito: luzes na noite de São Paulo

Pausa para uma pergunta: os protestos que trancam ruas e estradas e, por consequência, a vida de todo mundo, não são um tiro no pé? Em lugar de atrair o apoio da população, não provocam antipatia contra as causas? O pobre do cidadão já é tão penalizado, bem que se podia dar um jeito de protestar (o que é justíssimo) sem maltratar assim quem precisa trabalhar, estudar, chegar.

No Rio, o pessoal me conta, já foi pior. Não é o que eu penso quando pego a Lagoa toda congestionada a caminho do túnel Rebouças. Mas eles sabem o que já passaram, quem sou eu para duvidar? Uma coisa é certa: a nova linha de metrô até a Barra será um alento para todos. Metrô, essa realidade que parece tão distante de Porto Alegre quanto a lua.

Se for para pegar congestionamento, melhor esse

Se for para pegar congestionamento, melhor esse

Hoje existe aqui o BRT, aquele ônibus que se desloca em pista própria para escapar dos engarrafamentos. Com ele posso ir até mais perto do meu trabalho, que fica no lugar mais longe do planeta – ao menos, do meu planeta. De carona ou de táxi, as obras do próprio metrô e da Cidade Olímpica muitas vezes transformam a viagem que deveria levar uma hora em duas, três, quatro. Há poucos dias, com chuva forte, foram quase cinco. Mas agora encontrei ocupação para não enlouquecer completamente: comecei um livro. Puxo o computador e fico lá, tentando fazer com que a vida dos personagens vá para a frente. Se a deles for, no fim das contas, a minha anda também.

Pelo menos não tem elefante no nosso trânsito

Pelo menos não tem elefante no nosso trânsito

Deixar o carro em casa é a solução para diminuir os congestionamentos. Mas no caso de Porto Alegre, com os ônibus constantemente assaltados e, de algumas semanas para cá, volta e meia fora de circulação por falta de segurança, quem se arrisca a ficar na mão do transporte público? Enquanto isso, o prefeito pede a presença da Força Nacional para ajudar no combate à violência. E o governo do Estado, além de dizer que não carece, vira manchete na capa do UOL por declaração – no mínimo irresponsável – do seu em tese responsável pelo assunto: “Secretário de Segurança do RS pede que população aja com as próprias mãos”. O trânsito, realmente, está longe de ser o nosso maior problema.

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