Claudia Tajes: Feriados, dias santos & afins

Um dia eu aprendi o que significava “feriado” e a minha vida nunca mais foi a mesma. Feriado era quando a gente não precisava pular da cama cedo para ir à aula. Era o dia em que, sem ser final de semana, todo mundo se amontoava pela sala de pijama mesmo para ver os programas de TV da manhã. Alguma ancestral da Xuxa talvez apresentasse atrações sem graça para a criançada, não lembro se isso já acontecia naquelas priscas eras. Depois vinha um almoço preguiçoso e de tarde a gente continuava vendo desenhos ou brincando ou quem sabe até desse uma saidinha para comprar revistas ou tomar um sorvete, já sofrendo antecipadamente pelo fim de um dia tão bom.

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Se eu gostava dele na infância, na adolescência é que entendi o quão perfeito um feriado podia ser. Se caía no meio da semana, a gente ganhava de brinde a noite anterior para ir a alguma festinha ou à casa das amigas. Se caía na sexta ou na segunda, feriadão. Nada podia ser melhor, a não ser que ainda emendasse a quinta ou a terça. Aí, feriadaço _ o que dispensa maiores explanações. Obviamente, nem me passava pela cabeça que tantos dias de vagabundagem pudessem prejudicar a produção, a economia, o país, o universo. Saudosos dias de vagabundagem inocente, aqueles.

Aí vem aquilo que acontece com quase todo mundo na vida: ficar adulto. Quase todo mundo porque sempre teremos os que se matam na saída de um jogo de futebol, o sujeito das 52 multas que, pelo andar da carruagem, vai se safar para continuar fazendo racha e passando por cima dos outros, enfim, esses tipos que só crescem em tamanho, os famosos sem serventia. Adulto, o vivente percebe que as tarefas continuam precisando ser cumpridas no mesmo prazo, apesar do feriado ou dia santo no meio. E entende que o sol nasce para todos, mas o feriado, não.

Esses dias, no supermercado, uma moça lamentava que o 1º de maio caísse justo no único domingo do mês em que ela teria folga. É azar mesmo. Quando pequena, eu pensava que o certo seria todo mundo trabalhar no Dia do Trabalho. Hoje, depois de tantos anos de labuta, acho linda a homenagem de um descanso nessa data. Coisas de quem aprendeu, ralando, que o sol até pode nascer para todos. Mas o feriado, não.

E o prêmio de Funcionário do Mês vai para o Matheus Longhi, da loja da Vivo da Rua da Praia, perto da esquina da Marechal Floriano. Sabe quando um atendimento é tão ruim, para não dizer mal-intencionado, que te faz perder a fé na humanidade? Se isso acontecer, passa lá no Matheus. Ele leva a sério aquele velho – e nem sempre sincero – papo de atender bem o cliente.

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