Claudia Tajes: Fim de Feira do Livro e começo das leituras – veja minhas dicas

Lá se vai mais uma Feira do Livro. E dessa bem pouco participei. Não deu para ir aos lançamentos, aos encontros, às palestras. Duas passadas voando para trabalhar e uma terceira na companhia da musa Cíntia Moscovich para espiar a quilométrica fila da musa Martha Medeiros (nada como conhecer musas). Sorte que deu tempo para uma esticadinha na exposição do Moacyr Scliar, mistura de resgate de memória e homenagem merecida com curadoria da Prana Filmes. Encerra-se neste domingo, vale muito a pena ver.

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Para não dizer que fiquei alheia à Feira, fiz aqui a listinha de livros que gostaria de dividir com todo mundo. Não tem isso? Quando a gente gosta muito de um livro, contar sobre ele para os outros é quase uma necessidade. Meu filho que sofre, às vezes ligo para ele só para ler uma frase. Quase sempre no momento errado, óbvio, que são todos os momentos quando se tem 22 anos e mais o que fazer do que ouvir a mãe lendo uma frase. Certo que muitos e ótimos livros ficaram de fora por falta de espaço, esquecimento ou, fazer o quê, desconhecimento. Mas sem falta modéstia: todos estes que aqui estão valem muito a viagem.

Diário de inverno, Paul Auster

Da Companhia das Letras. O diário, sem ordem cronológica, de um homem de 64 anos (à época da publicação) que ainda lembra da sensação do prego que lhe cortou o rosto aos quatro, que acha o corpo da mulher amada o lugar mais lindo em que já esteve, que faz o inventário de todos os endereços em que morou como se escrevesse pequenos contos e que diz, sobre a própria mãe: tinha medo de morrer. O que, em outras palavras, significa medo de viver.

Em Águas Profundas, David Lynch 

Da Gryphus. Para quem gosta do cineasta David Lynch – que já participou do Fronteiras do Pensamento, aqui em Porto Alegre, falando não de cinema, mas de meditação -, um livro onde ele assunta sobre cinema, sobre o que o levou a estar onde está hoje e sobre, claro, meditação. Para fãs do homem e curiosos em geral.

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Consumidos, David Cronenberg 

Da Objetiva. Romance de estreia de um dos cineastas mais perturbados de todos os tempos. Sugestão do Paulo Moreira, cidadão do jazz e dos livros. Um casal de repórteres sempre em busca de matérias sensacionalistas vai se afundando cada vez mais na parte mais podre do mundo. Doente como todos os filmes do autor, mas vai dizer que não é bom examinar as doenças da vida bem seguro na poltrona da sala?

O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de Peregrinação, Haruki Murakami

Da Alfaguara. Homem solitário que vive em Tóquio vai atrás dos amigos de infância que, sem explicação alguma, um dia o expulsaram da turma. Às vezes a gente compra um livro por impulso, pela capa, para se fazer de inteligente, para aumentar a pilha, seja pelo que for, mas já sabendo que não vai gostar. Com o japa Muramaki é diferente. Qualquer livro dele que se compre é ótimo. E o próximo sempre vai ser melhor.

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As caixas da L&PM

Tem a novíssima com as crônicas da Martha Medeiros, as do Fernando Pessoa, a do Bukowski, a da Jane Austen, a do Andy Wharol, a de literatura russa e muitas outras. Só coisa boa.

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Talentos em desfile (isso não é um programa de auditório)

E só alguns, porque o espaço está no fim. Mas lá na Feira eram muitos – e continuam todos nas livrarias, à nossa espera. Tem o Ismael Caneppele com as crônicas de Só a Exaustão Traz a Verdade; o Santiago Nazarian, com o romance Biofobia; Etiqueta de Bolso, da que sabe muito do assunto, Celia Ribeiro; Crônicas para Ler na Escola, do Kledir Ramil; o infanto-juvenil A Vaca Azul é Ninja em uma Vida entre Aspas, do Jefferson Assumção; os dois mais recentes do popstar Fabrício Carpinejar, Me Ajude a Chorar e Curinga – esse da editora Arquipélago, que publicou também Tomo Conta do Mundo, da Diana Corso, e Humor É Coisa Séria, do Abrão Slavutzky; o jornalista Léo Gerchmann, com Coligay – Tricolor e de Todas as Cores; e, porque uma hora seria preciso parar, Queria Ver Você Feliz, em que a escritora e roteirista Adriana Falcão conta a história trágica dos próprios pais sem mostrar pena de ninguém. Sorte do leitor, que ganhou mais um livro lindo, e nem um pouco previsível, para levar pela vida.

 

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