Claudia Tajes: História triste

Foto: Andre Avila
Foto: Andre Avila

Pior ainda do que ter 52 multas, pior ainda do que estar com a carteira de habilitação suspensa, pior ainda do que beber e dirigir, pior ainda do que fazer um racha na 24 de Outubro. O irresponsável, para não dizer bandido, que atropelou a Rafaela e o Thomaz (foto acima) na madrugada do outro sábado em Porto Alegre conseguiu fazer coisa ainda pior do que tudo isso junto: fugiu.

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Mas como é que alguém promove um estrago desses e foge? Supondo que fosse um guri dirigindo o carro do pai, ele ficaria apavorado e daria no pé sem olhar para trás. Um guri cagado, com o perdão da palavra. Não é atenuante, mas dá para entender. Só que o sujeito que quase matou duas pessoas tem 39 anos. E fugiu. Não me ocorre outra definição: é um cagão. E nem vou pedir desculpas pela palavra.

Eu tenho pena dos pais do atropelador covarde, que certamente não criaram o sujeito para se transformar no inútil que ele é hoje. Se tiver mulher e filhos, tenho pena deles também. Mas tenho mais pena ainda da Rafaela, do Thomaz e das suas famílias, que verão o imprestável se incomodar um pouquinho, pegar alguma pena, ser libertado em seguida, entregar uma ou outra cesta básica. E era isso.

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Na semana passada, no Rio, um sujeito foi fuzilado na porta da escola do filho pequeno. Na notícia do jornal, “empresário que falsificava remédios contra o câncer é executado”. Empresário? O infeliz falsificava um remédio para pacientes com leucemia que podia custar até R$ 12 mil A CAIXA. Não era empresário, era bandido. Foi apanhado em 2007 e condenado, mas só em 2015, a 11 anos e 8 meses de prisão. Continuou livre. Parece que, nesse tempo, dedicou-se ao hobby de colecionar carros de luxo. Morreu em um deles. Sabe lá de quantos causou a morte com os seus remédios falsos.

Antes que pareça, não sou a favor de se fuzilar um bandido na porta da escola do filho. Também não sou a favor do olho por olho, da pena capital, de nada disso. Como milhões de outros, só queria que as culpas, uma vez provadas, levassem os culpados a pensar na vida por uns bons anos no xilindró. Não é querer demais. E ainda evita que um filho, uma irmã, um marido, uma amiga ou qualquer desconhecido seja quase morto em uma madrugada por um cagão que, para piorar tudo, ainda pode fugir.

***

Coluna triste termina com história curiosa para descontrair. Tenho um amigo artista, o Moisés Bettim, que pinta lindos retratos. Só que pintou o da Amy Winehouse – e ela morreu. Pintou o do Lemmy, da banda Motorhead – e ele morreu. Pintou o do David Bowie. E o Bowie morreu. Crente de que tinha um superpoder, o Moisés se pôs a pintar os falecidos que admirava, na esperança de que todos revivessem: John Lennon, Jimmy Hendrix, Picasso. Como nenhum voltou, ele se convenceu do poder das coincidências e hoje tem um lindo acervo de retratos à disposição da clientela: Bob Dylan, Marilyn, Beatles e muitos mais. Contatos pelo facebook.com/bettimartista.

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