Claudia Tajes: Jogo de memória

Dei oi para a moça e não precisaria ter dito mais nada. Só nos conhecíamos de vista, mas daí lembrei que uma amiga minha precisava muito falar com ela, e que eu havia prometido aproximar as duas. A moça esperava seu pedido no balcão da loja de conveniência, eu já estava de saída. Mas decidi que era hora de cumprir a missão e perguntei se ela não toparia cantar em um evento dali a algumas semanas.

– Eu, cantar? Olha, eu não canto. Tu me confundiste com outra pessoa.

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É muito feio confundir duas pessoas. O suprassumo da grosseria, já que ninguém pode ser tão igual ao outro. Exceção para os gêmeos, em especial para os irmãos Perottoni, Monteiro e Maragno, que até hoje me desnorteiam quando os encontro em duplas por aí. Em minha defesa, digo que as duas moças que confundi são muito parecidas, as duas bonitas, mesma idade, mesma altura, mesma cor de cabelo, será mesmo que não são parentes? Depois de um fora desses, resta ficar com a famosa cara de tacho, pedir mil desculpas e sair com o rabo entre as pernas. Por que eu tinha que abrir a minha boca?

Eu, que esses dias fui chamada de Martha Medeiros no supermercado e que sempre sou confundida com a Cláudia Laitano, acho graça quando me tomam por certos alguéns. Uma honra ser confundida com as gurias. Quanto ao meu engano, a verdade é que foi apenas mais um episódio na minha longa lista de confusões envolvendo nomes e pessoas. Sobre isso, conta- se na TV de um veterano diretor, já meio atrapalhado nos pensamentos, que um dia teve um ataque de fúria e mandou seu assessor levar a um fulano o seguinte recado: diga que ele está demitido. O assistente entrou em pânico, como dar um recado assim? Muito simples, disse o diretor. É só dizer que quem mandou demitir foi o… o… o…

O pobre homem havia esquecido do próprio nome.

Já consultei um ótimo neurologista, que me garantiu: por enquanto, não há motivo para preocupação. O tico e o teco seguem respondendo a estímulos. De mais a mais, meus parentes mais próximos me consolam, sempre foi assim. Há alguns anos recebi a pena de fazer três desafios de Sudoku por dia porque eu trocava os nomes dos amigos do meu filho. Minhas maiores vítimas eram o Tomás, o Tiago e o Greg. Apesar de saber exatamente quem era qual, eu errava os nomes e ainda conversava com o Tomás sobre a família do Tiago, por exemplo, perguntando sobre uma mãe que não era a dele e um cachorro idem. Pior que, de tanto resolver os insuportáveis enigmas numéricos, acho que fiquei mais atenta. Nunca mais troquei os nomes dos guris e melhorei muito no quesito confusão. Até, claro, o episódio da loja de conveniência.

Melhor retomar o Sudoku.

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