Claudia Tajes: Não suba no vaso sanitário. Não fume dentro do toilette. Não grite

Foto: Reprodução
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Não nos responsabilizamos por objetos deixados dentro do veículo. Você veio a este estabelecimento porque quis, gastou os tubos fazendo o rancho e, mesmo assim, vai voltar amanhã e depois e depois e depois porque algo sempre falta. Mas, se arrombarem seu carro e levarem as suas coisas dentro do estacionamento, não adianta reclamar aqui na administração. Vá se queixar ao bispo ou faça um textão no Facebook. O problema não é nosso.

Atenção: as bebidas dentro da geladeira estão sujeitas à precificação diferenciada. Não entendeu? É simples: aqui a cerveja gelada custa mais caro do que a cerveja quente. É tipo uma “taxa de refrigeração”. Pode até ser uma prática muquirana, mas depois não diga que não sabia. Não adianta chegar ao caixa e trancar a fila aos gritos de “o Procon vai saber disso”. Eu avisei.

Não suba no vaso sanitário. Não atire maçarocas de papel-toalha molhado no teto. Não fume dentro do toilette. Não grite. Não atire objetos sólidos não orgânicos na privada. Feche a porta ao usar o vaso sanitário. Não escute música alta. Proibido defecar no mictório. (Esses avisos de banheiro público são um tanto estranhos, mas, se existem, é porque houve jurisprudência.)

Para sua segurança, este local está sendo filmado. Na verdade, é para a nossa segurança, mas você pode se ofender se a gente for tão explícito. Pode pensar que nós achamos que você tem pinta de bandido, sabe como é. Pessoal, hoje em dia, anda muito sensível, se ofende com tudo. Melhor deixar nas entrelinhas. Para bom entendedor, um cartaz metido a simpático basta.

Volto logo. Eu sei, você veio no seu horário de almoço, mas o chefe demitiu a colega que trabalhava comigo e agora estou só eu aqui. E você sabe, também tenho contas a pagar. Telefonemas a dar. Também preciso almoçar! Peço a sua compreensão para esperar por mim aí, do lado de fora, porque eu volto logo. Só depende do tamanho da fila da Mega Sena.

Atendimento preferencial. Não está claro? Nem com aqueles desenhinhos do vovô de bengala, da moça grávida, da outra com um bebê nos braços e da cadeira de rodas? Jura que o senhor não entendeu? Pois é, o atendimento preferencial é para pessoas que precisam de atendimento preferencial. O senhor é jovem. Tem o quê, 30 e poucos? Trinta e poucos são os novos 20 e poucos. Está forte, corado. Barriguinha parece de sete meses, mas desconfio que seja de cerveja. Pode ir para a outra fila, por favor?

Máximo de 10 itens por cliente. Dá licença de novo? É que o senhor saiu da fila do atendimento preferencial direto para a fila de 10 itens, mas o seu carrinho está cheio. Deve ter uns 50 troços aí, e isso que caixa de leite conta como um item só. O senhor tem uma dúzia. Eu vi que as outras filas estão maiores, mas nessa o senhor não pode ficar em respeito aos clientes que têm 10 itens na cestinha. Quem disse isso? O cartaz. O gerente. O dono do supermercado. O Esquilinho. O senhor pode sair, por favor? Pode? Pode?

Frágil. Ih, rapaz, o pessoal do embarque colou um aviso de frágil nessa mala. Que será que tem aí? Eletrônicos Porcelanas? LPs? Cristais? Seja lá o que for, dá um chute e bota bem embaixo de tudo. Saco cheio de frescura. Não coloque o pé na faixa amarela. Desculpe, mas a senhora não pode subir a escada rolante com o pé aí. Eu sei que dá uma cosquinha boa, mas coçar a sua micose não é a função dessas cerdas laterais. Depois belisca o seu calcanhar ou engole a sua chinela, e a senhora vai querer processar o shopping. Um momento. O senhor poderia tirar o pé da faixa amarela? Não, essa escovinha não está aí para lustrar o sapato do cliente. Pode tirar o pé da faixa amarela, pelo amor de Deus?

Favor recolher o cocô do seu cão. Custa vir com um saquinho, custa? Olha o estado dessa calçada. Tem que andar de olho no chão, senão, já era. Eu que não me descuido. (Plof.)

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