Claudia Tajes: A Nora que todo mundo pediu a Deus

Casa de Cinema recebe prêmio por
Casa de Cinema recebe prêmio por "Doce de Mãe" no 43º International Emmy Awards | Foto: AFP

Cada vez que a gente vê um filme ou uma série de TV da Casa de Cinema sabe que os sócios Jorge Furtado e Ana Luíza Azevedo assinarão a direção. Que o Giba Assis Brasil vai montar e editar o material. Que outros diretores de cena, assistentes, fotógrafos, diretores de arte e afins, figurinistas, maquiadores, produtores e mais uma multidão terá trabalhado para que o programa vá ao ar. E que, por trás de tudo isso, estará uma morena que é pura beleza, gentileza e simpatia – desde que as coisas funcionem direitinho e que todos andem na linha. Eu, que nunca soube mandar nem no hamster que tive na infância, só podia escolher a produtora executiva Nora Goulart para a galeria dos perfis de verão aqui da coluna. Porque ela, mais do que ninguém, é O chefe.

Em primeiro lugar, o que faz o(a) produtor(a) executivo(a)? Tudo. Orçamento do filme ou da série, agenda de filmagem, contratação de elenco e equipe – demissão também –, locação de câmeras e equipamentos, meio de campo entre estúdios, emissoras e a produtora, administração das crises, as profissionais e as pessoais. Sem muito exagero pode-se dizer que, sem essa pessoa que junta todas as pontas e mantém os talentos e vaidades em equilíbrio, trabalhar em cinema seria muito, mas muito mais difícil.

A Nora decidiu que a vida dela seria o cinema quando assistiu a Deu Pra Ti Anos 70, do Nelson Nadotti e do Giba Assis Brasil, filme-marco aqui dos pampas que o crítico Goida assim definiu, em 1981: “Um retrato dos artistas quando bem jovens, entre o bom humor e a falta de perspectivas, entre a cultura e o sentido prático, entre o susto e a euforia, entre a alegria e a decepção”. Em 1984, ela era sócia do Martin Streibel e da Gisa Hiltl em um estúdio de fotografia e filmagem. Depois que O Dia em que Dorival Encarou a Guarda, curta-metragem do Zé Pedro Goulart e do Jorge Furtado, foi filmado lá, em 1986, Nora nunca mais largou a produção de cinema.

Casa de Cinema: 30 anos em 2017

Casa de Cinema: 30 anos em 2017

Foi durante as filmagens de O Dia em que Dorival Encarou a Guarda que a Nora começou a namorar o Jorge Furtado. Casou com ele durante as filmagens do curta Ilha das Flores. De lá para cá, são dezenas de filmes, muitos projetos de TV e uma filha, a Alice – mais o Pedro e a Júlia sempre por perto. Em 2011, o Carlos Gerbase e a Luciana Tomasi, sócios da Casa de Cinema desde a fundação, saíram para abrir a Prana Filmes. A Nora, o Jorge, a Ana e o Giba seguem firmes.

Sobre ser uma produtora respeitada como ela é, diz a Nora: “Significa ter uma responsabilidade social enorme, já que o cinema hoje é subsidiado com dinheiro público. Significa dividir com três sócios uma produtora que em 2017 completa 30 anos! Significa trabalhar muito, muito. Acertar e errar todos os dias, consertar, contratar, administrar, criar, gastar, cobrar, escolher, ler, ler e ler projetos e mais projetos, receber dezenas de currículos vindos de todo o país, saber e acreditar que o cinema e a TV são instrumentos de transformação. Isso sim é uma responsabilidade absurda, a maior delas”.

Alice, a melhor produção de Nora | Foto: Arquivo Pessoal

Alice, a melhor produção de Nora | Foto: Arquivo Pessoal

A pergunta que não quer calar: e em casa, é a Nora quem manda? “Na verdade, eu sou uma administradora de tudo, da família, dos afetos, dos encontros. E também dos ajustes, das possibilidades, dos gastos, da planilha de contas. Mas não faço isso para mandar, não. Faço porque gosto de ter todos por perto.” A família, os amigos e o cinema agradecem.

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