Claudia Tajes: Nunca houve uma mulher como Michelle

Há quem ache coisa de colonizado, americanizado, vendido e sei lá mais que outras relações com o imperialismo ianque, mas azar. Pensando nas primeiras-damas que a vida tem nos apresentado aqui no Brasil, é impossível não admirar a Michelle Obama.

Pode que, da porta de casa para dentro, ela seja uma megera, mal-humorada e intratável, vai saber. Da porta para dentro da sua casa cada um pode ser o que é – ou podia, já que com os vídeos e fotos de celular agora a gente acaba sabendo das intimidades de todo mundo. Mas num palanque, numa festa, num mercadinho de esquina ou uma viagem cerimoniosa, que graça de mulher parece ser essa Michelle.

Ela é enorme, opulenta. Sem o saltinho baixo certamente ficaria maior que o marido. Por certo pesa mais que o magrinho Obama e calça, no mínimo, o mesmo número que ele. Advogada, diz que vai retomar a profissão em seguida. Na época da reeleição, em 2012, sem nada de que acusá-la, adversários começaram a dizer que a Michelle era… homem. Seu verdadeiro nome seria Michael LaVaughn Robinson, nascido em Chicago em 17 janeiro de 1964. E o suposto Michael teria, inclusive, jogado um bolão em um time de futebol americano antes de se assumir mulher. Também sofreu alguns ataques racistas, óbvio, porque é assim que a ignorância belicosa mais gosta de se manifestar. Nada que abatesse Michelle, a grande.

Também o cabelo com chapinha dela sofreu patrulha. Negra de cabelo liso não contribui para a causa, disseram. Como se alguma causa pudesse ser maior do que ter a Michelle na Casa Branca.

Com as duas filhas, nada de frescuras. Enquanto a filhota de 36 anos do governador de São Paulo faz ensaios de moda e desfila marcas pelo palácio (profissão da tipa: digital influencer), as adolescentes da Michelle usam vestidinhos de magazine, a exemplo da mãe, e trabalham nas férias para ganhar uns trocados. Talvez isso seja o que se chama de educar para o mundo.

Outra coisa: a Michelle não se faz. Sentada ao lado do Obama na primeira fila de um show da Speranza Spalding, mandou beijos e beijos entusiasmados para a cantora ao final de uma música. Aplaudir contidamente é para as fracas.

Depois que vazou a tal “conversa de vestiário” em que o Trump, como de hábito, não nos poupava do seu palavrório machista, a Michelle discursou: “Posso dizer que os homens da minha vida não falam assim sobre as mulheres e sei que a minha família não é exceção. (…) Enquanto nossas mães e avós muitas vezes não tinham o poder de mudar suas circunstâncias, hoje nós, como mulheres, temos todo o poder que precisamos para determinar o resultado desta eleição”. Boa tentativa, Michelle.

Mas o alaranjado Trump ganhou. Não adiantou a popularidade do Obama, o crescimento da economia, a queda do desemprego nos EUA. A quarta-feira acordou com bolsas despencando, dólar subindo e cara de zumbi. A bem da verdade, parece que o futuro presidente bilionário anda um doce, nem parece o falastrão da campanha. Como disse o próprio Obama, se o sujeito é descontrolado no Twitter, imagina o que pode fazer sentado ao lado daquele botãozinho que explode tudo. Foi bom enquanto durou, Michelle. Agora é esperar o lançamento da Barbie Primeira Dama.

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