Claudia Tajes: Os grupos de WhatsApp

Foto: Pixabay
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Não é contra a tecnologia. Não é contra a comunicação. Não é contra a interação entre os povos. É só contra o excesso de mensagens chegando a cada vez que alguém lembra de uma piada, de uma gracinha e, muito lá de vez em quando, de uma informação que preste. Me refiro aos grupos de WhatsApp e não sei se a chata aqui sou eu (provavelmente) ou eles.

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A bem da verdade, nem todos os grupos de WhatsApp são chatos. Estou em vários que são de trabalho, importantes para deixar o pessoal por dentro das tarefas sem ter que gastar o latim em intermináveis ligações telefônicas. Também faço parte de alguns outros que são afetivos. Há pouco, fui adicionada ao grupo do casamento do nosso poeta Carpinejar com a bela Beatriz. Sendo a turma formada por pessoas que escrevem muito bem, é sempre divertido ver as mensagens que se acumulam em dezenas de balõezinhos. Eu olho só de vez em quando, ou não faria mais nada na vida que não espiar os chistes alheios. Uma coisa é certa: meu telefone nunca pingou tanto amor como nesses dias pré-nupciais do Fabrício.

Acho que vou passar a minha vez

Acho que vou passar a minha vez

Outro grupo querido de que faço parte é o que reúne quatro membros da minha pequena família comentando futebol. Um grupo animado com a boa fase do seu time e que tem, acima de tudo, a função de juntar na mesma tela um que vive em Florianópolis, uma que mora no Rio e dois que estão em Porto Alegre. Não deixam de ser amorosos os grupos que se criam para nos convidar para um aniversário, por exemplo. Se estamos nele é porque alguém gosta da gente, o que não serve de consolo quando começam a chegar as irritantes confirmações de presença – ou os mais criativos desdobres justificando a ausência. O jeito é silenciar as notificações. Perco a festa, mas não perco o amigo. É o meu lema.

Um imóvel por dia. Este é o meu WhatsApp

Um imóvel por dia. Este é o meu WhatsApp

Triste é quando, do nada, o sujeito se vê no meio do grupo de uma liquidação de loja ou do lançamento de um empreendimento imobiliário. Um amigo meu, médico e colorado, dormia o sono de quem fez plantão no hospital a noite inteira quando seu WhatsApp começou a apitar desesperadamente. Achando que fosse alguma mãe prestes a ter bebê, ele levantou meio grogue para encontrar uma overdose de mensagens no celular. “Venha morar ao lado da Arena!”, “Oportunidade imperdível!”, “O Marcelo Hermes já comprou!”. Assim fica difícil acabar com a violência entre as torcidas adversárias.

Desculpe, mas preciso trabalhar

Desculpe, mas preciso trabalhar

Mas o mais bizarro de todos os grupos de WhatsApp de que já ouvi falar é o criado por um ator para reunir todas as suas ex. Parece que o cara já casou tanto, tem tantos filhos, tantos acordos, pensões e broncas para tratar que o jeito foi criar uma espécie de fórum permanente no aplicativo. Todas as ex opinam sobre tudo, qualquer assunto é resolvido em comunidade. Não sei se é boa ideia, mas parece que funciona. As ex até já apostaram que, logo, logo, a atual mulher do ator será adicionada ao grupo. Coisas do amor em tempos de até que o WhatsApp nos separe.

Meu WhatsApp não acerta uma

Meu WhatsApp não acerta uma

Há três anos e meio, Vladimir Soares saiu da periferia de Porto Alegre para estudar flauta doce na Alemanha. Dois mestrados depois, laureado com nota máxima, ele volta para masterclasses e concertos. Ainda é possível ouvir o menino que se apaixonou pela música na Orquestra de Flautas Villa Lobos, projeto social da Lomba do Pinheiro, e chegou a solista da Orquestra de Câmara de Stuttgart no dia 21, às 18h, na Casa da Música (casadamusicapoa.com.br) e no dia 31, às 19h, no Teatro da UFCSPA, ali na Sarmento Leite, 245. Vale colocar em um grupo do WhatsApp.

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