Claudia Tajes: Os humanos se divertem

Sem saudosismo, mas era bom aquele tempo em que a gente entrava no cinema, ou no teatro, ou em um show, e a atenção de todo mundo ficava grudada na tela ou no palco por uma hora e tanto. No máximo, e às vezes até com certa graça, alguma senhora conversava em voz alta demais com a amiga ao lado, um casal de namorados trocava ideias sobre o que estava vendo, um bando de adolescentes fazia piada no meio do filme, alguém cantava alto, muito mais alto do que João Gilberto jamais conseguiria.

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Mas hoje, ah, hoje a tela do cinema ou o palco do teatro já não são suficientes para manter o público alheio ao mundo lá fora. Agora vive-se a própria vida _ e mais ainda, a dos outros _ pelo celular. Que, por isso mesmo, precisa ficar ligado até o último minuto dos trailers, avisos e agradecimentos. É proibido fotografar este espetáculo, diz uma voz macia de locutora. Então, talvez porque “proibido” rime com “permitido”, nunca falta quem saia fotografando tudo, da entrada dos artistas ao bis. Sem contar todo aquele povo que faz selfie.

Ó pra quem não desliga o celular

Ó pra quem não desliga o celular

Ontem mesmo, no cinema, a moça que até deixou o celular no silencioso, mas à vista para não perder nenhuma mensagem ou chamada, atendeu a uma ligação. Sussurrando, como se assim incomodasse menos: “Não posso falar agora. (…) No cinema. (…) Aquele do Darín, o do cachorro, sabe? (…) Não, Darín é o ator, o cachorro é o Truman. (…) Sério? E o que ele fez? (…) Não acredito! Manda o nude! Não posso falar. (…) Beijo”.

O advento do celular tornou menor um outro inconveniente típico, o pé do sujeito de trás batendo na sua poltrona. E, na mesma linha dos hábitos irritantes dos humanos na plateia, não dá para esquecer dos que levam uma refeição completa para a sala. Não apenas a pipoca grande o bastante para alimentar 10 escoteiros e o refrigerante tamanho litrão, mas hambúrguer, pastel, batata frita, quibe. Um amigo, certa vez, trocou de lugar porque uma mãe com dois filhos serviu galinha frita para os seus meninos durante a sessão de Faroeste Caboclo. Aliás, o STJ acaba de permitir a entrada de comida no cinema. Liberou o motocó.

Vai atender ligação no meio do show?

Vai atender ligação no meio do show?

Mas, se não for pedir demais, daria para deixar no silencioso aquele toque de celular que imita um assobio só durante o filme e a peça?

Hora de vender o peixe de um grande amigo. Lá se vai o professor Cláudio Moreno dar aulas pelo mundo para três felizes turmas de estudantes. Partidas para a Sicília e a Calábria em setembro e para a tradicional Grécia dos Mitos e dos Deuses em novembro. Com uma novidade em outubro: Mitologia Fantástica – Harry Potter e Emília no Olimpo é o roteiro que vai passar pelas ilhas gregas e por Londres para que pais e filhos conheçam juntos as histórias da mitologia e o universo de Harry Potter. Para quem puder, é daquelas coisas que não têm preço na vida _ e dá para parcelar em muitas vezes. Informações com a Porto Brasil Viagens pelo e-mail acosta@portobrasil.com.br ou pelo fone (51) 3025-2623.

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