Claudia Tajes: Pessoas de presente

Agora que já passou a ansiedade para arrumar a casa com enfeites e luzinhas, para procurar presentes (mesmo que não se queira), para apresentar um cardápio diferente do trivial e que agrade a todos na ceia – missão impossível, mas a gente segue tentando – e para só ter pensamentos fraternos, agora até dá para relaxar e pensar que o Natal, no fim das contas, é mais que uma data comercial. Isso apesar da pressão para comprar, comprar e comprar a que somos submetidos desde o começo de novembro. “Antecipe suas compras”, ordenam os shoppings. Eu, só por birra (e por falta de dinheiro, vá lá), deixo tudo para a última hora.

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E foi tentando botar a vida nos trilhos que tive algumas boas surpresas natalinas. Era dia 23 e eu não tinha sequer um presenteco em casa. O jeito foi sair na correria pelas lojas, com algumas ideias na cabeça e um orçamento que, óbvio, acabaria por estourar. Sinceramente: esse foi o Natal do assalto à mão desarmada. O comércio enlouqueceu. E os supermercados, então, abusaram. Os preços dos últimos dias foram uma ofensa ao parco poder de compra dos consumidores depois de um ano complicado para o bolso da maioria.

Sobre isso: segue firme e forte o desaparecimento dos empacotadores dos supermercados. Agora as pobres moças dos caixas precisam cobrar e embalar em ritmo de maratona para dar conta da fila – nesses dias, imensa. Empacotadores desempregados, caixas ganhando o mesmo salário e trabalhando em dobro. E o supermercado, como sempre, ganhando cada vez mais. Alguém tem que ser feliz na crise, enfim.

00b5ce0cEm algumas casas, como a da Alessandra Ambrósio, o Natal foi assim

Não poderia citar todas as pessoas que me atenderam bem nas lojas porque foram muitas. Apesar do cansaço, os vendedores ainda tinham disposição para aguentar os retardatários indecisos (meu caso). Do Marlon, o menino que ama ler, cursa Letras, tem um blog com textos próprios e trabalha como estoquista na loja Convexo do Moinhos Shopping até a garota que precisou trancar a faculdade de Medicina para ajudar a mãe a fazer docinhos, foram muitas as histórias bonitas que ouvi.

Era nisso que pensava quando peguei o táxi para voltar para casa. O motorista, um senhor quieto e educado, fez algum comentário sobre o trânsito congestionado e, porque o carro não saía do lugar, começamos uma conversa. Ele, viúvo desde que os filhos tinham quatro e seis anos, há dois cria, com a ajuda dos guris, uma sobrinha que agora tem quatro. Os dois filhos dele hoje estudam Engenharia na UFRGS. E os três homens não imaginam mais a vida sem a pequena dentro de casa. A ponto de revirarem o centro da cidade em busca de uma tiara de princesa cor-de-rosa, como ela queria. O senhor me contou que só encontrou em um atacado, 200 tiaras na embalagem. Comprou. “Agora ela pode fazer chá para as amiguinhas e distribuir tiara para todo mundo”, disse.

00b5a5c0Leo, Aline e a vida 

Daí li também as lindas matérias de Natal da Larissa Roso e do Mateus Bruxel. E ainda teve a volta do Leonardo depois de nove meses tratando um câncer nos Estados Unidos – e sendo recebido por uma torcida no Salgado Filho. Aliás, a campanha dele para seguir em tratamento continua. Por todas essas, é que, embora a propaganda diga que o Natal são os presentes, o Natal mesmo, no duro, às ganhas, são as pessoas. E dura a vida inteira.

00b5ce14Larissa e as histórias de Natal

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