Claudia Tajes: Qual o seu maior defeito?

 Já a célebre Aracy de Almeida, a jurada-símbolo do programa Sílvio Santos, não perdoaria: tremenda cara de pau
Já a célebre Aracy de Almeida, a jurada-símbolo do programa Sílvio Santos, não perdoaria: tremenda cara de pau

Não tem uma entrevista da Caras ou de outra dessas revistas sobre a vida alheia em que o/a repórter não pergunte para a celebridade da vez de preferência, fotografada lânguida em seu divã com estampa de onça (nada contra, adoro estampa de onça): qual o seu maior defeito?

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É aí que a celebridade brilha. “Meu maior defeito é a honestidade.” “Meu maior defeito é não saber mentir.” “Meu maior defeito é ser perfeccionista.” “Meu maior defeito é pensar primeiro nos outros.” “Meu maior defeito é acreditar nas pessoas.” “Meu maior defeito é ser linda.”

Simples: estudantes querem estudar

Simples: estudantes querem estudar

Sinal dos tempos. Hoje em dia, poucos têm defeitos, esta característica tão própria dos humanos. A maioria tem qualidades hiperdesenvolvidas. Ele não é mandrião, é zen. Ela não é fofoqueira, é viciada em informação. Ele não é grosso, é autêntico. Ela não é fútil, é blogueira fitness.

Nessa hora sempre ouço, vinda do nada, uma voz grave e poderosa a declamar o Poema em Linha Reta do – este verdadeiramente célebre – poeta português Fernando Pessoa: “Nunca conheci quem tivesse levado porrada/ Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”.

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Antes que alguém confunda, a voz que eu ouço não é a de Deus. Religião, aliás, é outro tema sempre presente nas declarações das celebridades. A/o repórter pergunta: você acredita em Deus? E 100% dos entrevistados: “Eu acredito na existência de uma força maior”. Pode ser tanto o Darth Vader quanto a força da gravidade, vai saber.

Escolas ocupadas. E reformadas pelos alunos

Escolas ocupadas. E reformadas pelos alunos

Aí a gente vê o Eduardo Cunha pedindo o impeachment da Dilma para “acabar com a corrupção no país”. Logo ele, o proprietário da jesus.com. Como se não tivesse se movido pela vingança, mas pelo altruísmo. O governador de São Paulo, que desceu o cacete nos estudantes contrários à tal “reorganização” do ensino estadual, alega que estava apenas mantendo a ordem. Não mandou bater por ter perdido as rédeas para a gurizada, mas para administrar bem. Arrã. Importante: durante a ocupação, além das manifestações na rua, os estudantes arrumaram, pintaram e cuidaram das escolas.

Fernando Pessoa diria: "Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?"

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