Claudia Tajes: Quase amor express

– E daí ele me mandou um charme no Happn.

Nesse ponto da conversa com uma querida amiga mais moça fui obrigada a perguntar, no mais sincero estilo Didi Mocó:

– Cuma?

Foi quando fiquei sabendo que o Happn é um novo aplicativo de paquera. Muito melhor que o Tinder, disse a minha amiga. O Tinder eu sei, mais ou menos, o que é: um aplicativo que cruza as informações do perfil do/da vivente com a localização dele/dela, sugerindo pretendentes que estejam por perto. Tudo com base nas informações obtidas no Facebook dos usuários – que, a gente sabe, nem sempre correspondem aos fatos. Basta então aceitar ou rejeitar o/a interessado/interessada. E o resto será história.

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Depois de uma certa idade não é fácil ficar em dia com as novidades digitais. Só há pouco conheci o Snapchat – aplicativo que manda imagens no lugar de mensagens. Imagens que duram só alguns segundos, o que faz com que a turma se envie todas as bizarrices possíveis e inimagináveis, de cocôs a caretas a nudes a fotos ridículas da própria mãe. Sei disso porque meu filho volta e meia me fotografa nos meus piores momentos e ângulos, flagrantes que ele depois manda para sua rede de amigos.

Minha dificuldade para entender o Snapchat é essa tal garantia de que as imagens estrambóticas (sempre quis usar essa palavra) são apagadas segundos após o envio. Como assim, apagadas? Tudo o que a gente manda não fica por aí, na nuvem, no espaço, em outra dimensão só conhecida pelos caras da T.I.? Não sei não, mas acho que isso ainda será usado contra nós.

E sobre o Happn propriamente dito. Se você cruzar com uma criatura na rua e quiser saber tudo sobre ela, quem é, de onde vem, do que se alimenta e outras questões básicas para a coisa ir em frente, basta acionar o Happn. O aplicativo sairá qual um míssil enlouquecido a rastrear tudo sobre a pessoa. Se entendi direito, basta se cadastrar e os/as pretendentes aparecerão imediatamente na tela do celular, e com a distância entre você e eles/elas naquele momento. Aí é só sair curtindo quem lhe parecer interessante. Havendo um grande interesse, manda-se um “charme”. E que caia o pano sobre o que virá depois

Penso no constrangimento de algumas revelações. E se aparecer, como pretendente, o senhor que está consertando a pia da cozinha? A vizinha casada do apartamento de cima? O avô da sua amiga? A avó da sua amiga? O seu chefe? O Eduardo Cunha? Nesse caso, melhor bloquear, porque cassar parece tarefa impossível.

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Talvez o que fique faltando nesse novo tempo da abordagem online é, justamente, o tempo. Gostou, correspondeu, encontrou, rolou. De qualquer jeito, valeu. Minha amiga me disse que é assim mesmo e que quem entra no Happn sabe muito bem onde está se metendo. Inclusive, a essa altura dos acontecimentos, o aplicativo já deve estar sendo superado por outro que abrevia ainda mais o processo e já começa com a pessoa partindo para a próxima. Ou o próximo. Não importa. Se for para ser feliz, tanto faz se o modo é analógico ou digital.

Aplicativo engraçado é o que mistura os rostos de duas pessoas e faz com que elas se pareçam não uma com a outra, mas com aberrações da natureza. Em todos os experimentos eu recebi uma barba e doei meu bigode chinês. O resultado foi péssimo para ambos os lados.

E na segunda, dia 4, começa a oficina de criação literária da Cíntia Moscovich. Doze aulas com quem sabe tudo. É fazer e sair escrevendo. Fone 3346-6340.

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