Claudia Tajes: Sutileza à flor da pele

Filme do ano 2000, beleza que não passa (Foto: Reprodução)
Filme do ano 2000, beleza que não passa (Foto: Reprodução)

Uma das coisas boas de se ter um filho que faz cinema é pegar carona nos filmes que ele assiste para a faculdade. É assim que tenho revisto, e muitas vezes visto pela primeira vez, todo tipo de filme do passado próximo e do bem distante, além de me esforçar muito mais para acompanhar os lançamentos e a programação em cartaz. Porque ver um filme, assim como ler um livro ou assistir a uma peça ou a um jogo ou a show ou a uma apresentação, tanto quanto um prazer para os sentidos, hoje também significa um tema para render na conversa com o filho.

Não é uma tarefa fácil em tempos de Pokémon Go e grupos do WhatsApp. Pai e mãe precisam de muita criatividade para prender a atenção de seus herdeiros por mais de 15 segundos. Um exemplo de diálogo – se é possível chamar assim – pelo telefone.

– Guri, que saudade. Tá muito frio aí?
– Não.
– Muita coisa pra fazer hoje?
– Sepá.
– Quer que eu ligue mais tarde?
– OK.
– Então, tá. Beijo.
– Falou, mano.

Dividir um filme com o filho traz duas horas compartilhadas e mais uns 20 minutos de comentários e impressões. Depois a vida segue, que os pokémons não param de surgir nos lugares mais improváveis e os grupos de WhatsApp continuam ativos e, pior, apitando. Mas o coração fica abastecido por um bom tempo.

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Foto: Reprodução

Uma história de amor sem nenhum beijo (Foto: Reprodução)

Por tudo isso, foi um presente rever Amor à flor da pele. O filme começa em 1962, quando dois casais sublocam quartos em apartamentos vizinhos em Hong Kong. A mulher de um e o marido da outra iniciam um caso, mas o que interessa aqui é a aproximação sutil dos dois que estão sendo traídos, Mo-wan e Su Li-zhen, que primeiro se unem pela traição de seus pares e depois ficam inseparáveis por eles mesmos. Tudo contado sem um beijo, só com gestos delicados, com uma beleza e uma sutileza de que o mundo não parece mais capaz em 2016.

Um exemplo: Mo-wan ensina que um segredo jamais se tornará conhecido se for contado dentro de um buraco, que depois deve ser coberto por lama. Assim se pode desabafar e manter o segredo seguro pela eternidade. Mas em tempos de privacidade zero como os nossos, quem pode garantir que não vai ter uma escuta do Programa do Ratinho bem no cantinho em que a gente desabafou? Isso se não tiver um pokémon dentro do buraco.

Não é um filme bom de contar porque não existem grandes acontecimentos no roteiro. Nada explode, ninguém é capturado, o Coringa não aparece nem nude tem. Mas, se alguém quiser 1h38min de beleza, pode silenciar o WhatsApp que não vai se arrepender da experiência.

Foto: Reprodução

Os vestidos da Su Li-zhen são uma atração também (Foto: Reprodução)

E quem está precisando muito de um gesto bonito é a APAE de São Jerônimo, que em menos de 30 dias foi roubada e depredada três vezes. Os mais de R$ 20 mil de prejuízo na sede atual e na que está em construção deixaram os 48 alunos atendidos precisando urgentemente de computadores e materiais. Para ajudar, basta fazer contato com a presidente da APAE São Jerônimo, Virgínia Araujo, pelos telefones (51) 3651-5399 e (51) 9605-1133.

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