Claudia Tajes: Tarzan, Mandrake e outros heróis que temos saudades

Dia desses vi um magrinho todo cheio de músculos, calção bem curtinho, correndo sem camisa pela rua (não o Cara da Sunga, atração turística da cidade). Era um palitinho mesmo, quase raquítico, e corria como um queniano. Falei para o meu filho: lá vai o Tarzan Minhoca. E ele: lá vai quem?

00a6e4c3Um simpático exemplar do Tarzan Minhoca

Ou Hollywood faz logo um filme decente sobre o Tarzan ou, em breve, as novas gerações não saberão mais quem foi o poderoso Rei da Selvas – também conhecido por Homem Macaco. No meio de tantos heróis sem carisma que surgem por aí, o Cara da Tanga só é lembrado pelos mais velhos. Diz o Google que em 2016 estreia nos cinemas uma versão meio estranha da história: já adaptado à vida em Londres, Tarzan recebe um chamado da rainha para investigar um caso que envolve uma companhia mineradora no Congo. Christoph Waltz será o vilão, o papel de Tarzan é de um ator sueco e tem, claro, o Samuel L. Jackson fazendo alguma coisa. Sem querer cornetear, mas acho que as novas gerações continuarão sem saber quem foi o Tarzan. E, por consequência, não adiantará chamar os fracotes de Tarzan Minhoca. Vai continuar faltando referência.

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Tarzan era originalmente um personagem dos romances de Edgar Rice Burroughs. Menino inglês que perdeu os pais após um motim no navio em que viajava, foi criado por macacos nas profundezas da África. Estourou no cinema interpretado por um esportista romeno que virou ator, Johnny Weissmuller. Pena que a coluna não tem som para ouvir o grito dele, mas dá para escutar aqui:

A Graforreia Xilarmônica, aliás, banda lendária dos pampas, tem uma música que se chama O Grito de Tarzan. Só sei que, a partir de 1932 e depois de 12 filmes, Tarzan bombou. Coitado do Johnny Weissmuller se já existisse a selfie. Só teria paz escondido nos confins da floresta com a sua companheira Jane e a mascote do casal, a chimpanzé Chita – que, na verdade, se chamava Jiggs e era macho, mas só conseguiu papel de fêmea no cinema. As concessões que se faz para vencer na carreira artística.

Um fortão em harmonia com a natureza, mas em conflito com a humanidade. Este é o Tarzan. E tudo isso só para falar do Tarzan Minhoca, apelido dos fracotes por décadas, agora em desuso. Aproveitando a categoria heróis que (me) deixaram saudades, mais dois cujos gibis em preto e branco minha avó tinha em casa, por certo antigas propriedades dos tios já crescidos: Fantasma e Mandrake. O Fantasma, primeiro a usar a cueca em cima da malha, moda que depois seria adotada por todos os heróis uniformizados, morava na selva com os pigmeus e defendia o pedaço dando socos que deixavam nos bandidos a famosa marca da caveira. Mandrake, o mágico que tinha por ajudante o africano Lotar, transformava os revólveres dos malfeitores em buquês de rosa. De algum jeito, Tarzan, Fantasma e Mandrake representavam um mundo de soluções mais ingênuas – e tão eficientes como as que hoje, nos quadrinhos, demandam tecnologia e planos mirabolantes para o mesmo fim, o de combater o mal.

00a6e4c1Mandrake e Lotar: bandidos, tremei!

Juntando alhos com bugalhos – já que crônica sem um final ligado à vida real não é crônica -, tomara que o voto tenha sido a solução simples para botar nos eixos tudo o que precisa ser corrigido. E que os eleitos usem de duas armas quase ingênuas, o trabalho e a honestidade, para merecer a honra de governar.

00a6e4c0Fantasma, o “espírito que anda”, aqui visto sentado

 

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