Claudia Tajes: Todas as belezas da Miss Jane

Em 2011, Patrona da Feira do Livro | Foto: Luís Ventura, Divulgação
Em 2011, Patrona da Feira do Livro | Foto: Luís Ventura, Divulgação

Eu sabia que ela tinha sido Miss Porto Alegre, que era escritora com vários livros publicados, especialista em Literatura Portuguesa, diretora da Faculdade de Letras da UFRGS e Patrona da Feira do Livro em 2011. Mas foi assim que, em um evento literário, a Jane Tutikian se apresentou para o público: ‘Quando o meu irmão nasceu, minha mãe deu a ele o nome de Johnny. Depois vim eu, Jane. Por sorte, na terceira gravidez, a mãe não teve uma menina”.

Quando pensei em fazer uma série de verão com perfis de gurias, a Jane logo surgiu como um dos nomes. Então, por coincidência, pegamos o mesmo voo. Duas horas depois, a coluna estava pronta. Para começar, a experiência dela como Miss Porto Alegre. “Foi em 1970, no tempo em que miss era Miss e o apresentador, posso garantir, não se enganou ao dizer meu nome. Foi uma parte muito bonita, muito divertida da minha vida! Final de adolescência, 17, 18 anos, nada melhor para a autoestima!”

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Mas o que levou aquela filha de uma exímia costureira e de um severo guarda de trânsito a concorrer foi mesmo o prêmio, anunciado como sendo de “milhares de dólares”. “Seria a minha liberdade! Podia comprar um apartamento e, talvez, até dar entrada para um fuquinha!”, conta. A Jane só não sabia é que aquele dinheirão todo era em produtos. “Ganhei muitas roupas, uns 60 pares de sapatos (que nem cabiam na minha casa!) e 10 perucas de nylon Kanecalon. Tinha ruiva, mechada, crespa, curta. E o mais surpreendente de tudo é que usei todas!”

Foto: Arquivo pessoal

Aprender, ensinar: a vida de Jane | Foto : Arquivo pessoal

Também em 1970, a Jane passou no vestibular de Letras e foi convidada para ser apresentadora no telejornal do meio-dia da TV Piratini. “Éramos quatro apresentadores, levávamos as notícias de casa e, 20 minutos antes de entrarmos no ar, comparávamos as notícias para que não déssemos a mesma. Uma experiência e tanto! Mas o melhor de tudo é que foi nesta época que conheci o Tuti, que era apresentador dos Correspondentes Brasileiros. Estamos casados há 42 anos.”

A miss que poderia ter sido modelo logo desistiu da TV e foi se dedicar ao que realmente gostava, a vida acadêmica. “Construí com esforço e com muita paixão minha carreira, passo a passo. Me preparei para isso. Cada vez tenho mais convicção de que a vida só vale a pena pelas grandes paixões. Hoje, tenho pós-doutorado, sou Professora Titular e Diretora, há oito anos, do Instituto de Letras. A possibilidade de formar gerações, de estabelecer uma relação de troca em que aprendo a juventude deles e lhes ofereço minha experiência, me encanta. A relação com meus colegas me enriquece. Tenho sorte, e muita. Recebo para viver, diariamente, a paixão que tenho pelas pessoas, pela literatura, pelo Instituto de Letras, pela UFRGS.”

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Em 2011, a Jane foi escolhida patrona da Feira do Livro de Porto Alegre. “É o reconhecimento da tua cidade pelo teu trabalho, não tem emoção maior do que essa! O papel do patrono, da patrona, é fundamental por ser o escritor um apaixonado pela palavra, pelo livro, pela literatura e pelas pessoas. Que outro lugar congrega assim todas as paixões do escritor? Passados quatro anos da “minha” Feira, não tenho a menor dúvida. Pessoalmente ela me fez crescer pelas pessoas que encontrei, pelas pessoas com quem falei, pelo afeto que recebi. Profissionalmente, aqueles 19 dias deram mais visibilidade aos meus livros do que 30 anos de trabalho.”

Foto: arquivo pessoal

A avó boa de bola do Dado | Foto: arquivo pessoal

Em casa, a Jane é principalmente a mãe do advogado Cristiano e da engenheira civil Fernanda, a sogra da advogada Priscila, a avó do Dado, cinco anos, e da Duda, seis. “Sou uma mãe tradicional, de fazer massa com frango aos domingos, de gostar da mesa cheia e tudo. Mas ser avó! Ser avó é uma graça! Tenho uma amiga que diz que, se soubesse que ser avó era tão bom, teria pulado a parte dos filhos. (…) Jogo futebol, brinco de boneca, rolo no chão, e para indignação das respectivas mães, estabelecemos, a Duda, o Dado e eu uma regra: com vovó tudo pode!”

Foto: arquivo pessoal

Transmitindo o DNA para a Duda       Foto: arquivo pessoal

“Hoje eu fico pensando que foi muito bom não ter feito do título de miss minha vida. Eu sabia que era passageiro. E o tempo não perdoa! O difícil é quando hoje, aos 63 anos, as pessoas me olham e procuram a miss. Aí eu tenho que explicar: faz mais de 40 anos, dois filhos, um marido, dois netos, gatos, cachorros e papagaios…”. Explicar por quê? Miss Jane, todo mundo vê, é uma linda.

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