Deputada trans, senador gay e senadora tetraplégica: como a diversidade vem ganhando força (e vez) nestas eleições

Erica Malunguinho, Fabiano Contarato e Mara Gabrilli
Erica Malunguinho, Fabiano Contarato e Mara Gabrilli

Vamos ser sinceras: não há assunto que se fale mais do que política nos últimos tempos. E não porque seja um tópico dos mais agradáveis, convenhamos. Já vi muita amizade sendo desfeita, almoço de domingo acabando com caras amarradas, cada uma em um canto da sala. Além de palco para as fake news proliferarem, o WhatsApp virou um verdadeiro ringue de batalha. Mas é o que o momento pede. É, sim, o que precisamos agora. É a hora de compartilhar ideias, discutir visões – com respeito e informação de qualidade, não custa dizer. Independentemente do seu lado neste cabo de guerra que virou o segundo turno das eleições, falar de política é fundamental para a vida de qualquer cidadão que tenha a mínima consciência do que é uma vida em sociedade. Porque política é, sim, a única saída para mudarmos a porcaria toda que vemos no noticiário a cada noite. É a saída democrática para fazer nossa voz ser ouvida.

Cada um elege suas prioridades na hora de escolher o candidato – e é aqui que a gente chama a tal da consciência para refletir se está pensando no todo ou apenas no nosso umbigo. Entre as minhas, está certamente a necessidade de investimento e priorização da educação, por exemplo, e é esse um dos tópicos em que mais presto atenção ao analisar os planos de governo. Mas no topo da minha lista também estão pautas como a luta pelos direitos e pela visibilidade da população LGBT+ e das pessoas com deficiência. Na real? Não adianta colocar casal gay na propaganda de perfume se for apenas para fazer bonito nas redes sociais. Vale nada se emocionar com a história do menino que joga futebol estando em uma cadeira de rodas se o Estado não dá condições para que ele não seja a exceção e sim a regra. Mais do que likes, as pessoas precisam de políticas públicas para que sejam respeitadas no dia a dia. Para que a PCD tenha condições de se desenvolver e viver de forma digna. Para que o gay, a trans e a lésbica possam andar na rua sem se sentirem ameaçados. É por isso que, em meio a essa guerra instaurada entre duas vertentes políticas tão distintas, dá um quentinho no coração ver que finalmente estamos conseguindo conquistar representatividade real nos mais diversos escalões do Legislativo.

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Custa a acreditar, mas São Paulo só elegeu agora a primeira pessoa trans para sua Assembleia do Estado: Érica Malunguinho (PSOL). Ela é mestre em Estética e História da Arte e trabalha na capacitação de professores da rede pública e privada. Além de Malunguinho, São Paulo também deve contar com Erika Hilton, uma das nove integrantes da chamada Bancada Ativista (também do PSOL) que se elegeu coletivamente nesta eleição. A candidatura é representada oficialmente pela jornalista Mônica Seixas.


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No Espírito Santo, venceu nas urnas o primeiro senador assumidamente gay do Brasil. Ele é Fabiano Contarato (Rede), um professor e ex-delegado da Polícia Civil – e foi o mais votado para o Congresso no Estado.

 


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Quem também assegurou uma vaga no Senado foi Mara Gabrilli (PSDB), pelo estado de São Paulo. Depois de um acidente de carro, a tucana perdeu os movimentos do corpo – e é a primeira senadora tetraplégica da história do país.


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O que isso significa? Que os grupos representados por esses novos nomes ganham mais esperança de ter vez e voz. De ter suas causas e necessidades contempladas em projetos e suas ideias saindo do discurso e indo para a prática. É a versão vida real da tal representatividade de que vivo falando nesta coluna. Que só é conquistada quando pula da timeline e do comercial para as urnas. Quando vira prioridade, de fato, para as pessoas – e não precisa ser gay ou deficiente para ter empatia e entender o quanto políticas para esses grupos são necessárias. É por isso que a gente precisa, sim, falar e entender de política, independentemente de partido. Agora, só torço para que os próximos anos revelem o quanto ter espaços nas assembleias e no Congresso pode ajudar a mudar a realidade.

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