Fred Elboni: o querer de um amor tranquilo

Foto: Felipe Carneiro/Agência RBS
Foto: Felipe Carneiro/Agência RBS

Às vezes, queremos paz. Queremos um amor que conserve tranquilo o coração, beijos que silenciem bocas, e rostos que se colam frente a um mar de poucas ondas. Queremos confiança de um serenar duplo, um olhar recíproco com sorrisos sem dentes aparentes e um deitar de colo estendido.

É gostoso, e necessário, querer um amor justo a dois, daqueles que se comem como sobremesa, mas nunca esquecem a importância do filé da paixão.

Um dia, vamos, e devemos, querer amores notívagos – na cama e nas conversas sem sentido na varanda de casa. Amores sem redes sociais, sem bandeiras hasteadas para os olhos dos outros, sem ressentimentos do vivido e do sonhado. Somente um amor que deseja ser sincero, alegre e contemplativo. Mas não somente, como se “somente” quisesse dizer pouco, mas somente no sentido deste ser o único propósito de vivê-lo.

Quando amadurecemos e passamos pelos desertos da vida, onde temos toda liberdade do mundo, mas poucas opções, aprendemos que a calmaria transforma amores irresponsáveis e coloridos em aquarela. E assim, nos aquarelando, admitimos que não nos cabe conhecer o que virá, mas sim, desejar que, um dia, um amor tranquilo nos dê a graça de seus beijos com alma. Pois, todos merecem um amor tranquilo. Até aqueles que, por pouca coragem e vontade de sorrir, desacreditam na sua aparição alegre. Então, fique sabendo que ele vive a te buscar, mesmo quando você mente a si, ao dizer que não precisa da tranquilidade de um amor para viver de ombros leves e pés firmes.

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