Mariana Kalil: Bomba relógio

Foto: Pixabay
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Eu dançava feliz da vida na pista de dança da boate que havia se transformado a casa da Alessandra quando a Sabrina puxou a manga da minha blusa: “Tu congelou teus óvulos?”, ela perguntou ao pé do ouvido.

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HEIN??!!

Sabrina está com 38 anos. É solteira e ouviu da ginecologista que o prazo de validade dos seus óvulos está se esgotando. Ou tem filho dentro de no máximo dois anos, ou pode começar a cogitar uma vida sem herdeiros. “Tu congelou teus óvulos?”, ela repetiu diante da minha cara de “que pergunta é esta numa hora dessas”.

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HEIN??!!

Não, eu não congelei meus óvulos. Nunca havia cogitado esta possibilidade, que é real e cada vez mais buscada por mulheres que sonham com a maternidade, mas ainda não encontraram o momento ou o companheiro para exercê-la e, assim, passam enxergar uma bomba relógio dentro do útero.

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A questão, na maioria dos casos, não é querer ter filhos, mas querer naquele momento – e até hoje eu não quis (em consenso com meu marido, claro). A escritora Elizabeth Gilbert, autora de um dos melhores livros que já li, o best-seller Comer, Rezar, Amar, escreveu: “Ter filhos é como fazer uma tatuagem na cara. Você precisa ter realmente certeza de que é isso que você quer antes de se comprometer”.

Capa Comer Rezar e Amar
NÃO LEU? LEIA!

Ter filhos ou não varia da urgência de cada mulher – e cada uma de nós sabe quais são as nossas urgências. Quando tinha 17 anos, quis estudar inglês na Califórnia; com 20, já queria estar formada; com 24, desejei trabalhar em São Paulo; com 30, me matriculei em uma especialização em Barcelona; com 33, quis trabalhar no Rio de Janeiro; com 38, publiquei meu primeiro livro e investi na carreira de escritora; com 40, publiquei o segundo; com 42, o terceiro; com 43 pedi demissão, resolvi empreender e aqui estou, plena e feliz. Sem filhos.

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ELA ESQUECE DA GENTE

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BENTO ADORA FAZER DRAMA

Ambições variam de mulher para mulher. Algumas chegam na juventude com o instinto maternal já aflorado; outras transformam a maternidade em um projeto de vida (com direito a em produção independente, se for o caso). Tem quem faça malabarismos para estudar, trabalhar e criar um filho e há mulheres que se julgam capazes de cuidar apenas de um gato e olhe lá.

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Meu mais profundo respeito e admiração por cada perfil. Temos apenas que saber em qual deles a gente se encaixa, dar mais ouvido a nós mesmas do que à opinião alheia e, a partir daí viver, plena com nossas escolhas.

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LIVRE!

Até hoje não me vi disposta a abrir mão do estilo de vida que escolhi para dar início a esta fase. Filho custa caro, filho é para sempre, filho exige renúncia, responsabilidade e por alguns anos requer dedicação integral.

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“Você tem certeza de que quer ser mãe um dia? Sim? Então, procura um especialista, dá um jeito de bancar o investimento, congela os óvulos e relaxa. Mas, sobretudo, relaxa. É aí que a vida acontece”. Foi a resposta que dei para minha amiga Sabrina.

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