Mariana Kalil: Correr é meditar em movimento

Foto: Reprodução
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Então, você olha para o lado na rua e uma legião de pessoas felizes está lá, de tênis, short, camisetinha e um semblante de satisfação no horizonte. Correm felizes, como se não houvesse amanhã. Como se não existissem dores na coluna, nos joelhos, no calcanhar de Aquiles a cada trote, como se aquela prática fosse o caminho mais curto para chegar ao paraíso.

Woman looking crazy.SÓ QUE NÃO

Comecei a tentar correr há uns quatro anos, quando fui conquistada por todos esses semblantes faceiros de passos largos em busca de menos quilos e mais qualidade de vida. O que aconteceu? A cada nova tentativa, sofria uma coceira absurda nas pernas que me fazia interromper o treino de dois em dois minutos para me esconder atrás das árvores do Parcão e me coçar feito um cão sarnento.

bento1124NÃO TENHO NADA COM ISSO

Sem falar no joelho estropiado, nas três semanas de calcanhar estourado. Começar a correr não é tão simples assim. Não basta calçar um tênis e sair em disparada. Requer treino, fôlego, força, disciplina, persistência e, sobretudo, acompanhamento de um profissional. Desde o dia em que me vi sarnenta e escondida atrás das árvores do Parcão, jurei que não correria nunca mais na vida – nem até a esquina. Porém, fui convencida pelo meu professor e acatei a ideia. Decisão mais acertada impossível.

papaleguasBI BI !!!

Perdi cinco quilos com a corrida, mas a parte física é apenas consequência de um prazer muito maior – a satisfação mental que nos permite enxergar a vida, nossos problemas e contratempos com a devida proporção e perspectiva que eles devem ter. Nem mais nem menos. Trata-se de uma sensação muito similar à meditação. Aliás, pesquisas recentes têm demonstrado que “correr é meditar em movimento”.

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Estudiosos finlandeses afirmam que correr pode aumentar o número de células cerebrais. Cientistas americanos concluíram que os adeptos da prática tendem a ter maior interação entre as partes do cérebro dedicadas à cognição e ao foco mental. A pesquisa, publicada pelo periódico Frontiers in Human Neuroscience, descobriu que os praticantes mostram conexões cerebrais diferentes daquelas apresentadas por pessoas saudáveis, mas sedentárias. Essas conexões foram identificadas em áreas do cérebro conhecidas por ajudar na cognição sofisticada: memória de trabalho, capacidade multitarefa, atenção, tomada de decisão e processamento de informações sensoriais.

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ELA CORRE 10KM TODOS OS DIAS

NÃO NOTEI NENHUMA DIFERENÇA

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