Mariana Kalil: Dúvidas amorosas

Pexels, reprodução
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Sempre fui aquela amiga que ouve mais e fala menos. À primeira vista, me tiram para tímida. Não sou tímida, sou quieta. Do contrário, não sairia me apresentando por aí cada vez que enxergo um microfone pela frente, só pra ficar na minha frustrada vertente cantora com predileção por “Vento Negro”. Gosto do silêncio e de observar, traço este da minha personalidade que levou mamãe a ter a certeza de que jamais vingaria como jornalista.

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VINGOU?

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ALGUÉM LEVA ESSE CACHORRO PRA PASSEAR?

Tampouco sou de sair dando opinião e conselhos para as amigas – a menos que minhas palavras sejam solicitadas, claro. Muitas vezes, ainda na adolescência, muitas delas me pediram que escrevesse conselhos – o que fiz ainda em papéis de carta (quem não colecionou nos anos 1980?). Escrever sempre me ajudou a entender os motivos e os “comos” de tudo, tanto interna quanto externamente. Transformei o hábito de escrever em diários de papel no costume de dividir meu universo na internet. Todos os dias, digito um novo texto em meu site.

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ESTÃO CONVIDADAS A ACESSAR!

Não são poucos os e-mails que recebo de leitoras pedindo conselhos. Sobre vida, sobre trabalho, sobre carreira, sobre moda, sobre filhos, sobre estilo e mais recentemente…. Sobre amor!

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FALAR DE AMOR, EU?

Não sou muito boa nessa coisa, acho. Martha, minha amiga e titular da última página desta revista, faz isso bem melhor do que eu, com certeza. Mas foi tamanha a insistência que resolvi tentar. Eis duas perguntas do desafio:
1) Mari, gostaria que tu escrevesse algo sobre como lidar com o fato de que nunca seremos felizes ao lado do amor da nossa vida.
2) Mari, como se faz pra esquecer alguém?

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QUE PERGUNTINHAS, HEIN?

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QUERO VER ELA SAIR DESSA

Do fundo do coração, acho que poucas pessoas neste universo têm felicidade de conhecer o grande amor de suas vidas. Menos pessoas ainda são afortunadas com a chance de dividir suas vidas com este grande amor. Acredito que a maioria vive o amor duas, três, quatro estrelas. Mas aquele verdadeiro, aquele amor cinco estrelas, é privilégio de poucos.

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Vivemos de encontros e desencontros com muitos amores, pessoas legais, bacanas, com algumas afinidades, mas isso não quer dizer que seja o grande amor. E quando este grande amor acontece, às vezes chega cedo ou tarde demais; às vezes não acerta a hora. Pessoas certas passam muito pela vida da gente. A grande matemática está neste encontro acontecer com a pessoa certa na hora certa.

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A mensagem que qualquer um deveria carregar consigo é que podemos ter a chance de conhecer um amor realmente grande e poderoso, aquele amor que pode ser o mais importante e definitivo no sentido de realmente dar algum significado extra à nossa vida. Mas isso não quer dizer necessariamente que vamos envelhecer ao lado deste alguém. Nem todos os grandes amores conseguem encaixar-se na realidade e nas ambições que escolhemos para nós.

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Agora a segunda pergunta: “como esquecer alguém?”. Olha, se eu soubesse, estava vendendo este conselho e vivendo de renda. E se eu disser que tem gente que a gente nunca esquece? Será que conforta? Será que o que realmente dói não é ficar lutando, brigando conosco e tentando arrancar do nosso coração pessoas que fatalmente jamais sairão dali – ou que, pela importância que têm ou tiveram, exigirão um longo prazo para partir?

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Será que não é mais confortável compreender a situação, ser grata pelos bons momentos juntos, parar de criar expectativas e deixar que ela se vá? Afinal, para esquecer não é preciso deixar ir? Ou talvez encontrar dentro do peito uma gavetinha para guardá-la quietinha, sem nos machucar, apenas como uma bela lembrança de um tempo que foi bom, mas que não voltará – e que a vida anda pra frente?

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Enquanto damos cabo da nossa vida, das nossas escolhas, enquanto caminhamos para nos abrir para outras experiências e outras pessoas, ela vai ficando em um passado cada vez mais distante. Até o dia em que nada mais tem a dizer. Então, sem dor, sem traumas, abrimos aquela gavetinha, damos de cara com aquele alguém agora estranho e deixamos que se vá. Será que não pode ser assim? Dar tempo ao tempo, com serenidade e sabedoria; com mais raciocínio e menos emoção. Afinal, o tempo não é o senhor da razão?

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SERÁ QUE AJUDEI?

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ACHO DIFÍCIL

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