Mariana Kalil: Não falem por mim

Foto: Pixabay
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Sou profundamente agradecida a todas as mulheres que, ao longo da história, contribuíram para a conquista dos direitos femininos. Trata-se de uma longa jornada que não começou ontem e tampouco terminará amanhã. Ainda falta muito a garantir e somente unidas conseguiremos chegar a um mundo sem violência contra mulheres, com mais igualdade, melhores salários, mais respeito e dignidade.

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MAS ALTO LÁ!

Não aceito que falem por mim individualmente, na intimidade das minhas escolhas. Discursos e textos carregados de preconceito não me representam. A bola da vez é a primeira-dama Marcela Temer. Agora, eu pergunto: o que eu tenho a ver se Marcela Temer resolveu ser “bela, recatada e do lar”, casar-se com um homem 43 anos mais velho, cuidar da casa, ter as contas pagas e dedicar-se à família?

Woman shouting

NADA!!!

A vida é dela – e o livre-arbítrio também. O que Marcela tem a ver se eu resolvi não ter filhos, ser uma mulher emancipada, profissional liberal e pagante das minhas contas? Nada. A vida é minha. Nossas escolhas particulares só dizem respeito a cada uma de nós.

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OU NÃO É?

Afirmar, como tem sido afirmado, que uma figura pública como Marcela terá capacidade de influenciar novas gerações a aderirem ao papel de “princesas do século passado” é menosprezar o poder pensante e decisório que cada mulher adquiriu graças às lutas históricas de muitas gerações. É reiterar uma visão míope e intolerante, que se propõe a defender um modelo feminino tido como o certo e o melhor para todas.

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NÃO FALEM POR MIM

Todas as lutas e batalhas que as mulheres já travaram devem servir para dar a essas mesmas mulheres o direito de ser como elas quiserem. A verdadeira luta feminista é a que concede à mulher o poder de ser o que ela bem entender, com consciência e determinação. Nosso desafio enquanto sociedade e enquanto mulheres formadoras das próximas gerações é ofertar o poder de decisão às próprias mulheres, mostrando a elas que todos os caminhos são possíveis, permitidos e legais. E que elas sigam com liberdade e dignidade o que mais lhes agradar.

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TODAS AS DIREÇÕES SÃO POSSÍVEIS

Para sermos respeitadas, precisamos respeitar. Meu desejo maior é que cada uma de nós seja livre para escolher sua jornada. E que nós, mulheres, sejamos unidas e saibamos aceitar a opção de cada uma, com suas particularidades, preferências e diferenças.

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SEM “NÓS” E “ELAS”

Faço minhas as palavras de uma escritora que admiro demais, Mariliz Pereira Jorge, e que considero uma das vozes mais sensatas da minha geração: “Não preciso que ninguém me represente ou me diga como eu devo ser. Eu sou a mulher que consigo ser apesar de tudo. Eu sou a mulher que consigo ser graças a tudo. Mas eu sou a mulher que sou principalmente graças a mim”.

Obrigada

Meu muito obrigada aos leitores e leitoras que, atendendo ao meu convite, manifestaram-se sobre qual estilo esta coluna deveria seguir (com personagens, sem personagens ou alternando). Minha caixa postal lotou com mais de cinco centenas de mensagens que expressaram não apenas a opinião de cada um, mas um carinho emocionante.

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ELA ATÉ CHOROU

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NÓS VENCEMOS

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ÓBVIO

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