Mariana Kalil: Viagem na janela

Foto: divulgação
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Qual é a sua preferência ao escolher um assento para viajar de ônibus ou de avião? A minha é uma só: janela. Seja o assento que for, bem na frente ou quase sentada na privada do banheiro, preciso desesperadamente sentar na janela.

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QUESTÃO DE VIDA OU MORTE

Amo viajar de ônibus; odeio viajar de avião. No ônibus, passo horas e horas admirando a paisagem pela janela. Absolutamente muda, perdida nos mais diversos pensamentos.

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BEM ASSIM

No avião, permaneço horas e horas em estado de choque, com o nariz colado naquele vidro que não é vidro, olhando fixamente para baixo. Se o trambolho ameaçar cair, quero ser a primeira a saber. É uma tortura psicológica horrorosa que antes dava uma certa amenizada com um comprimido de Rivotril sublingual. Ultimamente, tenho precisado de dois.

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AINDA ASSIM É POUCO

Piora ainda mais quando sou obrigada a ouvir que “o assento da sua poltrona é flutuante e, em caso de pouco na água, retire-o e leve para fora da aeronave”. Sempre que estou trancafiada naquela geringonça e amarrada no maldito assento da poltrona, fico me imaginando levantando linda e calma, como quem vai dar um mergulho no mar do Caribe, removendo o assento, como quem pega o colchão d’água e um drink no bar da piscina, e dando uma barrigada em algum oceano por aí.

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À ESPERA DA EQUIPE DE RESGATE

Quem neste mundo acredita no conto de fadas de que vai desembarcar do avião em caso de pouso na água e flutuar no assento da poltrona?

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ME DIZ??

Há também uma sorte grande de passageiros inconvenientes. Há não muito tempo, viajei de ônibus durante sete horas ao lado de uma adolescente com cara de Pokemón que comia chiclete de boca aberta. Aquilo ativou em mim os instintos mais primitivos.

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FECHA A BOCA!!

A questão não era apenas o chiclete em si e aquela boca aberta fazendo balão explodindo em cuspe a cada 10 segundos. A perturbação maior era o sabor do chiclete: melancia. Quer desenvolver uma enxaqueca? Cheira um chiclete de melancia – e em seguida lembre-se de mim durante nove horas trancada em um ônibus fedendo a melancia, desenvolvendo uma enxaqueca dos infernos que só podia resultar no pior dos desfechos.

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ELA VOMITOU NA POKÉMON

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FOI UMA CENA HORRÍVEL

Cena horrível vivenciei semana passada na viagem de volta de Bagé, no ônibus da meia noite. Não tenho o menor problema de dormir em ônibus à noite. Sento, reclino o banco e só acordo no destino. Isso acontece, claro, quando a senhora que comprou o assento da poltrona ao seu lado não é uma viciada em estourar plásticos bolha.

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BOLHA POR BOLHA

Pois a viciada em estourar plásticos bolha era minha vizinha. Passada uma hora de estouros ininterruptos de bolhas, resolvi dar uma espiada para ver o tamanho do plástico, fiz as contas e concluí que ela levaria mais uns 40 minutos para terminar de estourar o resto. Eu teria, então, pouco mais de três horas de sono. Meu cálculo foi certeiro. Voltei a reclinar o banco achando que dormiria quando percebi que ela mexia em alguma coisa dentro de uma sacola também de plástico. Adivinha?

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UM ROLO DE PLÁSTICOS BOLHA

A senhora ao meu lado era uma viciada em explosões de bolhas de plásticos bolha. Sim, ela passou as cinco horas da viagem de madrugada explodindo as abomináveis bolhas daquela desgraceira de plástico bolha.

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ELA CHEGOU EM CASA MUITO AZEDA

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