Mariana Kalil: Vida após a vida

Todo ser humano entrou nesta jornada por meio do nascimento. Nascimento significa início da vida. Todo ser humano um dia vai embora por meio do falecimento, o fim desta vida. A palavra falecer é proveniente etimologicamente do fallecere, que significa quando algo deixa de ter existência, perde a vida; morre ou expira. Entre nascer e falecer, construímos a nossa história. Ela é única. Somos os principais responsáveis por nossas escolhas, caminhos, pelas amizades e amores. Escolhemos quem queremos ser, o que desejamos aprender, por qual legado gostaríamos de ser lembrados quando um dia formos embora e aqui nos tornarmos apenas uma lembrança.

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manaBENTO JÁ TEM UM LEGADO

bento1120VIM AO MUNDO A PASSEIO

Não temos o hábito de pensarmos no fim. Deveríamos. Deveríamos falar mais sobre a morte, pensar sobre ela, ler a respeito. Não tem nada de feio, nada de mórbido. É bonito. É sinal de amadurecimento e de aceitação daquele que invariavelmente será nosso único destino.

Costumamos nos preparar para muitas coisas na vida: viagens, casamentos, aniversários, reuniões, compromissos, maternidade, paternidade. Mas não nos preparamos para a morte. Cuidamos de acumular riqueza suficiente para que tenhamos uma vida confortável, mas esquecemos de acumular conhecimento suficiente para que tenhamos uma morte confortável. Refletir sobre o fim auxilia a exercitarmos uma contemplação de magnitude ainda maior: o momento presente. Ajuda a perceber se estamos em dia com nossas contas. Estamos em paz com nossa vida? Com nossas escolhas? Estamos em dia com nossos amigos, com nossa família? Sinto prazer em ser quem eu sou? Tenho o desejo de mudar algo? Como faço para conseguir? O que dá verdadeiro sentido  minha vida? Tenho trabalhado nisso?


QUANTAS PERGUNTAS, MARIANA!

Gosto muito de um poema de Mario Quintana que diz assim:

Esta vida é um estranha hospedaria
De onde se parte quase sempre às tontas
Pois nunca as nossas malas estão prontas
E nossa conta nunca está em dia.

SAUDADE DO POETA

Quando compreendemos que a vida é um sopro, nossa existência ganha uma nova dimensão. Adquire significado. Podemos, enfim, nos concentrar em fazer o que realmente importa – com menos aborrecimentos, menos queixas, menos brigas. Com mais leveza, alegria, mais generosidade e gratidão.

EM PAZ

Pensar neste fim, falar sobre ele, refletir a respeito faz com que lidemos com a morte dando a ela a importância que ela tem. Nem mais, nem menos. Ao falarmos sobre a morte e refletirmos sobre nossa vida, tornamo-nos mais fortes e capazes de abandonar nosso corpo sem traumas, sem rancores, sem lamentos e sofrimentos. Apenas nos permite ir embora para uma nova etapa. Com coragem, clareza e lucidez. A vida é curta, cada vida é única. É nossa, de mais ninguém. Invista nos seus sonhos. Compartilhe sua paixão. Ainda é tempo. Sempre é tempo.

AMÉM

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