#MariellePresente: “Perdemos uma grande pessoa, que usava sua voz, sua luta e todos os espaços para dar valor à mulher”

Mulher, negra, mãe, jovem, socióloga, ativista, da favela, vereadora (a quinta mais votada do Rio de Janeiro em 2016), lésbica, defensora dos direitos dos não privilegiados, Marielle Franco, morta na noite da quarta-feira (14) no centro do Rio de Janeiro.

Passei a quinta-feira o mais calada possível, desacreditada, recuada e inconformada. Impossível alguém não se comover e ficar atento a real situação em que vivemos. Parece que não tem fuga, não tem tempo. Não existe amor. Uma frase que li entre as inúmeras resume um pouco do meu sentimento: “Se você não está com medo, você não entendeu”. Nossas vidas são vulneráveis, o racismo e a impunidade parecem muito mais fortes do que a gente pode imaginar.

Aos 37 anos, Marielle foi assassinada de uma maneira brutal junto de seu motorista Anderson Gomes — e é quase como um recado para todos nós. Ela trabalhava a favor daqueles que tinham a voz silenciada, criticava a intervenção federal e da Polícia Militar na cidade do Rio de Janeiro e denunciava abusos de autoridade por parte de policiais contra moradores. Não tem mais nada escondido, está na nossa cara. Obviamente um crime político que afeta a cada um de nós, mesmo os mais privilegiados que não poderão fugir também.

Perdemos uma grande pessoa, que usava sua voz, sua luta e todos os espaços para dar valor à mulher, aos jovens negros, a causa LGBT e ao morador da periferia, que abraçou a responsabilidade coletiva e priorizou isso em sua vida. Perdemos alguém que estava em um ambiente que sabemos que é hostil, mas que estava disposta a enfrentar tudo por nós.

A discussão vai além da ditadura militar, é um momento de se discutir a vida negra. O direito de viver do negro. O genocídio da população negra.

Uma pessoa precisou morrer para que a gente entenda que nada mudou, que não evoluímos, que continuamos a margem da sociedade. Fica a questão abordada por Marielle dois dias antes da morte: “Quantos mais vão precisar morrer para que essa Guerra acabe?”

O silêncio parece o caminho mais fácil. Mas quem disse que queremos o mais simples? Marielle não morreu, virou multidão. Uma multidão forte que está extremamente disposta a mudar o curso do que está acontecendo em nosso país.

Milhares de pessoas nas ruas em dezenas de cidades do Brasil na noite de quinta-feira confirmam que a voz da “cria da Maré” — como Marielle se autointitulava — nunca irá se calar, bem pelo contrário.

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