Martha Medeiros: o caso Multipalco

Foto: Fernando Gomes/Agência RBS
Foto: Fernando Gomes/Agência RBS

Todo gaúcho sabe que a admirável dona Eva Sopher, 93 anos, dedica sua vida ao Theatro São Pedro e ao Multipalco, esta obra que parece tão inacabada quanto a Sagrada Família de Gaudí, em Barcelona. O Multipalco está demorando tanto para ser concluído que virou saga, mito, causo.

Porém, o que começou em 2003 com cinco anos de prazo para ser concluído já se estendeu por 13 anos e está mais do que na hora de ter um desfecho decente. Você sabe o que é, de verdade, o Multipalco?

Não é apenas aquela bela concha acústica ao ar livre. Não é apenas o ótimo restaurante Du Atos. O Multipalco é um complexo cultural inédito na nossa cidade e no nosso país. É um local que ministra aulas de música para jovens instrumentistas, é um espaço para teatro infantil, para corpo de baile, para ensaios de orquestras, para seminários. O esqueleto do prédio está pronto e funciona. Acabamento de primeira qualidade, salas amplas, competência na gestão. Falta pouco para se tornar o orgulho máximo dos gaúchos.

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Recentemente uma coluna de Alfredo Fedrizzi repercutiu por tratar dos motivos pelos quais tantos desejam sair de Porto Alegre. Óbvio que há lugares mais atraentes para se viver, mas qual é a nossa contribuição para valorizar os projetos que, como o Multipalco, seriam aclamados em qualquer lugar do mundo?

As maiores construtoras nacionais estão envolvidas até o pescoço em escândalos. Gastaram os tubos com políticos a fim de se beneficiarem com contratos vantajosos. O que conseguiram com isso? Frequentar as páginas policiais. Tivessem direcionado uma fração desses milhões para obras de incremento à cultura, teriam feito diferença no futuro do país, seriam sócios de um progresso efetivo. Mas não.

A população contribui a seu jeito. O máximo que pode fazer é comprar ingressos, prestigiar espetáculos de qualidade, mas não é suficiente. As grandes empresas e o governo é que podem fazer a diferença, que podem doar o montante necessário para a conclusão de uma instituição que irá potencializar a vida cultural do Brasil. Não é supérfluo: se queremos um novo país, fatalmente a mudança passará pela cultura.

Se você conhece quem pode dar um arremate feliz para essa longa história, divulgue o e-mail: presidencia@teatrosaopedro.com.br. Colabore compartilhando essa coluna e essa preocupação.

Dona Eva, repito, tem 93 anos. Não merece ser privada de ver concluído um projeto que não é para ela, mas para nós, para as próximas gerações, para a realização de uma evolução que precisa deixar de ser utópica.

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