Viviane Bevilacqua: menos é mais, também no amor

— Fiquei com cinco meninas na balada ontem —, contou João.

— E eu com três —, detalhou Pedro.

O nome das garotas? Eles não lembram mais. Aliás, é bem provável que nem tenham perguntado, antes de sair beijando. O importante é a quantidade, explicam. A qualidade, pelo jeito, fica em segundo plano. Quem sabe quando aparecer alguém especial?

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Eu não entendo que graça tem beijar por beijar, sem nem saber quem é a parceira _ ou parceiro, porque as meninas também saem por aí distribuindo beijos e carinhos – para depois contar às outras sobre as “conquistas” da noite. Ficar com vários, hoje, significa ser mais “poderosa” do que as outras, como bem diz aquela música chiclete da Anitta.

Pensando bem, acho que conquista não é a palavra certa, porque, convenhamos, não é preciso muito papo, hoje, para convencer alguém a “ficar”. Basta simpatizar, sentir um pouco de atração e pronto. Ou, nem isso. É só ter oportunidade.

— Se ela for bonita, tô pegando — disse o apressadinho do Pedro.

— Vai depender também do nível alcoólico dos dois – acrescentou João, rindo ao reparar na minha cara de reprovação.

Sou de outros tempos, não há dúvidas. E, sinceramente, acredito que melhores. Preconceito meu? Pode ser.

Antes, os casais conversavam quando se conheciam, e só então conforme o andar da carruagem (como dizia minha avó) decidiam se o encontro poderia evoluir para algo mais ou não. Ou melhor, a menina decidia, porque os meninos – salvo raríssimas exceções – nunca se contentavam com só conversar.

Terminar a noite no zero a zero ou marcar um golaço dependia de rolar a tal “química”, como hoje, mas também da outra pessoa ser interessante, simpática, ter bom papo…O normal era que cada coisa acontecesse no seu devido tempo.

Hoje me parece que a ansiedade é tanta que está tudo meio atropelado, e, por ser tão efêmero, ficou meio sem graça.

— Amanhã a noite tem outra balada e a pegação recomeça — brincou Pedro.

A adolescência, porém, tem tempo certo para acabar. João e Pedro daqui a pouco também se cansarão de beijar tantas bocas. Trocarão “todas” por uma só – e com certeza serão mais felizes, pelo menos enquanto durar o encantamento. Neste dia, entenderão o que eu dizia sobre qualidade ser muito mais gostoso do que quantidade.

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