Viviane Bevilacqua: minha bolsa, que vergonha!

Fila no caixa da cafeteria. Minhas amigas já pagaram suas contas e estão perto da porta, me esperando. Pra variar, não consigo achar o cartão dentro da minha bolsa, e está chegando a minha vez. Já fiz várias tentativas: comecei a usar bolsas menores, com menos repartições, com forros claros pra ficar mais fácil de enxergar o que tem lá dentro… Mas não adianta. Consigo manter a bolsa organizada por alguns dias, mas acaba sempre bagunçada. Também pudera: é caixinha de óculos de sol, de óculos de leitura, carteira de dinheiro, porta-moedas, bloquinho, caneta, celular, molho de chaves, batom e milhares de papeizinhos que vão se acumulando. É coisa demais pra pouco espaço, reconheço.

Voltemos à fila da cafeteria. Não achava o cartão de débito, e já tinha tirado a metade das coisas da bolsa (provavelmente dizendo alguns palavrões, também), num desespero total, quando eu percebi que havia se formado uma fila atrás de mim. Ai que vergonha! Mais do que depressa, virei e disse para o senhor que estava bem atrás de mim:

– Por favor, pode passar na minha frente. Estou procurando o meu cartão e não acho.

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Ele, muito gentil, disse que não tinha pressa. Encarou-me com um olhar divertido e perguntou:

– Você não é a Viviane Bevilacqua, que escreve no Diário Catarinense?

Confirmei, meio sem jeito, por causa da cena que eu estava protagonizando e pedi mil desculpas por estar atrasando a fila.

– Não se preocupe, bolsa de mulher é sempre assim.

Não sei se ele disse isso para me deixar um pouco menos sem jeito, para me confortar ou se ele realmente acredita que não sou só eu que tenho esse sério defeito de estar sempre perdendo as coisas dentro da minha bolsa. E fazendo fiasco em público.

Achei o cartão! Ufa!

O senhor me apresentou à esposa que, eles me contaram, é minha leitora fiel. Fiquei superagradecida – pelo carinho deles e pela paciência daquele homem de ficar atrás de mim na fila, sem reclamar.

Pagamos a conta, nos despedimos e voltei para casa com minhas amigas, que não paravam de rir da “cena”: eu tirando tudo o que havia dentro da bolsa – e olha que não era pouca coisa naquela noite – para encontrar o bendito cartão, e aquele senhor tão amável parado atrás de mim, provavelmente rindo e pensando: tinha que ser mulher…

Prometi mudar. Só uso bolsa pequena agora. Mentira, pequena não. Média. Mas comprei um tal de “organizador de bolsas”, uma espécie de nécessaire, para colocar todas as coisinhas pequenas que se espalham pela bolsa lá dentro. Aí, é só deixar o organizador dentro da bolsa pra manter tudo arrumadinho. Parece difícil? Estou começando a achar que não vai dar certo. Já sei. Vou procurar o cartão enquanto eu ainda estiver à mesa. Assim pelo menos evito de pagar mico na fila e fazer os outros esperarem por mim. Grande ideia!

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