Não aceitamos crianças: onda “childfree” em pousadas e restaurantes divide opiniões

Hotéis que não permitem entre seus hóspedes crianças. Restaurantes que limitam a entrada de menores de idade. Existe um certo movimento “childfree” – ou “livre de criança”, na tradução literal – que respinga em vários setores. O que nasceu como bandeira para casais que não queriam se sentir pressionados a terem filhos ganhou uma nova conotação ampliando para que locais possam restringir o acesso de menores de idade.

Levantamos esse debate no Grupo de Mães do Donna no Facebook e perguntamos o que as participantes achavam do assunto. As opiniões por lá ficaram divididas entre as que acham supernatural e as que não aceitam tão bem assim.

E o assunto rendeu tanto lá no Grupo que a gente vai debater ao vivo no Manhêêê desta sexta-feira (dia 27), às 16h, no Donna Beauty Pompéia, com transmissão pelo Facebook da revista Donna.

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POR MIM TUDO BEM…

“Não vejo como algo ruim, e sim como um nicho de atuação. Acho que é diferente de preconceito. Existem locais voltados ao nudismo, por exemplo. Outros voltados a vegetarianos. Esse é voltado a adultos. Tenho filhos e não me sinto ofendida… Apenas não frequento, pois não sou o cliente ideal deles”. Natalia Caliari

“Esse assunto já foi discutido até no programa da Fátima Bernardes de tão polêmico que é. Mas mesmo sendo mãe, não vejo mal nenhum em ter locais em que crianças não podem entrar. Quando eu era criança ia no clube de golfe com meu avô e lá tinham duas salas em que menores de 18 anos não podiam entrar. Sempre respeitei muito isso, chamava ele na porta caso precisasse de alguma coisa. Mesmo quem tem filhos às vezes quer ir pra um lugar só pra namorar, descansar, ter uma vida de ‘adulto’ e acho isso supernormal”. Laura Milano

“Se o lugar não aceita crianças deve ser porque a proposta é para adultos, não deve ter entretenimento e área adequada para receber crianças. Procura outra pousada ou aproveita só o marido”. Liandra Buck

“Acho que cada fase tem suas características. Respeito quem já passou pela fase das fraldas, gritos e narizes ranhentos e objetos quebrados a torto e a direito e que agora querem calma e silêncio. Assim como respeito quem não quem passar por isto. Há milhares de pousadas por este mundo a fora. É só escolher outras”. Alice Giffoni

“Eu não vejo mal, acredito que locais específicos como este também são procurados por casais com filhos inclusive, que querem descansar, namorar, curtir a dois. Só espero sempre que seja muito bem informado isto, para não causar desentendimentos e frustrações. Assim como restaurantes. Melhor que avisem que não permitem do que atender de cara feia, com péssima qualidade”. Rita Diedoviec

“Tenho duas filhas e também gosto de fazer programas só de casal. E vejo com naturalidade estabelecimentos terem essa postura. Tem lugares que não estão preparados para crianças e são para adultos aproveitarem. Não vejo nenhum mal nisso. Repito, mesmo sendo mãe, quando faço programinhas de casal, não curto criançada correndo, gritando etc. Assim como acho o máximo os hotéis e restaurantes super preparados para receber os pequenos e famílias”.  Letícia Bittencourt Guedes Telles

“Eu acho ótimo! Quando eu saio pra jantar só com amigos, por exemplo, tudo o que eu menos quero é sentar perto de uma mesa que tenha crianças. Além do mais, a liberdade de cada negócio poder escolher o seu diferencial e o seu público deve ser levado em conta, né?”. Simone Barañano

“Acho maravilhoso! São pousadas para casais, para lua de mel! Ainda vou passar uns dias em uma dessas … Acho mega importante para o relacionamento”. Tarin Jordão

“Não vejo problemas, são normas do local e eu frequento se quiser. Agora o que não pode acontecer é se abrir alguma exceção. Vai se hospedar lá quem quer descansar ou apenas curtir um fim de semana a sós com o maridão. Amo meu filho, ele é super nosso parceiro, mas temos nossos momentos só nós dois também!” Cristina Gigante

 

1.0

PRA MIM NÃO ESTÁ NADA BEM!

“Sou mega contra. Criança não é cachorro. Se não tiver conteúdo para maiores de 18, não deveria haver proibição. Se as crianças só frequentarem espaço kids, não vão aprender a se portar em lugares “normais”. Essa vivência amplia os horizontes da criança. E esse tipo de ojeriza só corrobora essa ‘criançofobia’ que está rolando. Ademais, não conheço nenhum lugar que proíba adulto mal educado e barulhento de entrar”. Clarissa Barreto

“No litoral de São Paulo existe uma pousada que também não aceita. Voltado para lua de mel, casais somente. Quem me comentou acha muito bom. Confesso que fiquei sem palavras mas parece ser um conceito novo de mercado. Os resorts em Punta Cuna separam espaços diferenciados para cada público”. Priscila Straatmann Morél 

“Eu acredito que essa história toma corpo junto com a crescente intolerância no geral e isso é muito perigoso. Podemos pensar “ah, mas é só uma pousada, um negócio particular”. Mas com isso a gente naturaliza o que não é normal, o que não é saudável. Não que um casal não possa viajar sem os filhos, por exemplo. Todos precisam de momentos “adultos”. Mas a exclusão de crianças, por exemplo, de um espaço como uma pousada abre precedentes para outras exclusões, como a de negros. Isso me entristece muito”. Melissa Dietrich da Rosa

“Não querer ter filhos é uma opção que respeito, mas não tolerar a presença de crianças por conta de paixão, lua de mel ou coisas do tipo eu acho meio incompreensível. Crianças são barulhentas, mas são casa cheia, alegria, vida. Além disso, adultos podem ser bem barulhentos e desagradáveis em restaurantes, cinemas, shoppings, praias e não temos a opção de não conviver, no caso”. Camila Dilélio

“A pousada pode proibir crianças? Pode. Isso é bom? Não. É muito ruim e vou explicar meu ponto de vista. Ninguém nasceu adulto direto de uma cápsula gigante de vidro com líquido transparente como em um filme de ficção. Abre a porta da cápsula, seca o corpo, sai falando e caminhando. Todo mundo foi bebê e depois criança. Todo mundo fez barulho e fez birra. Segregar crianças do convívio desumaniza porque as torna invisíveis. Tirar criança do campo de visão dos adultos só faz a sociedade mais omissa em relação às crianças, em todos aspectos. Todo mundo fala que cuidar da infância é investir no futuro. Cuidar é também apresentar o mundo, dar o direito de conviver e conhecer lugares. Nessas horas a gente percebe que “criança é o futuro” não é um conceito tão óbvio como deveria ser, não. Quando é perto, no quarto do lado, na piscina do hotel é “ui, credo, essas crianças”. Paula Sperb

E você? O que pensam a respeito?
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