Viviane Bevilacqua: o eterno jogo do amor

– Eu já não te conheço de algum lugar?

Ah não, essa cantada velha de novo eu não aguento – pensou Mariana. E olhou com desdém para o cara tão pouco original que veio puxar conversa naquela balada. As amigas haviam se arranjado, ela estava sozinha, mas nem por isso disposta a ouvir galanteios sem graça.

Mas quando ia responder um “não” olhou bem nos olhos do moço e ficou só no nnnnnnnnn… Engoliu em seco e disparou: não, a gente não se conhece, ainda. Mas sempre é tempo, não acha?

Ele deu uma risada gostosa, e ela também sorriu por dentro. Pela primeira vez na vida havia tido coragem de “dar uma cantada” em um homem. Na verdade, não foi bem isso – ela só respondeu positivamente à investida dele, mas pra ela, sempre tão tímida e reservada, esse passo era mais importante do que o do Armstrong, quando pisou na lua.

O papo rolou leve, divertido, dançaram, beberam e notaram que deviam se conhecer sim, de outras vidas, de tanta coisa em comum. Pouco tempo depois estavam namorando.

Mariana é como a maioria das mulheres, que ainda tem receio de tomar a iniciativa numa conquista amorosa. Podem parecer “fáceis” demais.

Quando eu era jovem as coisas funcionavam assim: nós, meninas, até dávamos a entender que estávamos interessadas (com sorrisinhos e olhares lânguidos, embora nem soubéssemos bem que era isto). Mas o garoto é quem tinha que vir puxar assunto. Se ele não viesse, azar. Azar o nosso, principalmente, porque muitas vezes ele nem ficava sabendo que era objeto dos nossos sonhos românticos. E como sofríamos por isso…

As coisas mudaram. As mulheres estão mais decididas e sabem lutar pelo que querem. Não mofam esperando as coisas simplesmente acontecerem. Isso é bom? Claro que sim, porém, como em tudo na vida, o equilíbrio é o segredo do sucesso.

Tenho observado os meninos – e homens – cada vez mais assustados com o assédio feminino. Pode parecer besteira, mas eles ainda gostam de pensar que estão no comando quando se trata de conquista amorosa. Há coisas que não mudarão jamais. Posso apostar que esta é uma delas.

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