O Topo da Montanha: a inspiração da peça de Taís Araújo e Lázaro Ramos para todos os negros

Foto: Jorge Bispo, divulgação
Foto: Jorge Bispo, divulgação

Assisti a um espetáculo admirável no Theatro São Pedro na última semana (dias 2 e 3).

Taís Araújo e Lázaro Ramos – casal essencial para a nova revolução da figura negra na mídia brasileira – trouxeram a peça O Topo da Montanha para a capital gaúcha pela primeira vez.

Eu não tenho como objetivo falar da peça em si, e sim das marcas que ela me deixou. Estou extasiada e emocionada até agora, três dias após vê-la. A turnê nacional retorna no próximo ano e sugiro muito que você não perca a oportunidade de assistir: é uma peça necessária.

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Foto: Jorge Bispo, divulgação

Apenas para situar, a peça encena a última noite de Martin Luther King em vida, com ele deparado a seus medos, acertos e erros. E se tranquilizando ao saber que apesar de não haver outros “Kings”, mesmo assim iriam ter aqueles que continuariam o trabalho iniciado por ele para maiores direitos civis principalmente aos negros. Pessoas essas como Nelson Mandela, Angela Davis e Ruth de Souza.

Naquele local, ocorreu um diálogo com todos que se sentem ou já se sentiram limitados principalmente pela cor da pele. Sinto que isso é tão comum que acabamos nos acostumando a ser abafados de alguma maneira, seja no trabalho, no ambiente escolar ou na vida pessoal.

Foto: Jorge Bispo, divulgação

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Comparando essa continuação do trabalho de Martin com o passar do bastão em um revezamento, um desafio é dado a plateia: segurar o bastão e compartilhá-lo. Essa responsabilidade não é simples, mas os resultados são prazerosos. Afinal, se não tivéssemos pessoas de coragem que enfrentassem a barreira do racismo, estaríamos em um nível pior hoje.

A conquista de cada negro é de um povo inteiro. A cada espaço que alcançamos é uma vitória geral. Enxergarmos que sim, podemos estar na televisão, podemos estar em um cargo alto da empresa, podemos estudar na faculdade que escolhermos seguir, podemos ser donas de casa, enfim, que temos a opção de escolha e de não permanecer em uma imagem pré-determinada e enraizada em nossa cultura. Falta muito a ser obtido, mas temos pessoas cada vez mais dispostas a alcançar locais e assim ouvirmos de qualquer montanha o sino de liberdade (discurso O Topo da Montanha de King) e triunfo.

Confira uma cena da peça

Sinto que carrego o bastão e que o compartilho com as pessoas quando tenho espaços como esse na Donna, por exemplo, ou no ATL Girls, onde também escrevo ou nas minhas próprias redes sociais e fora delas, claro. E isso me inspira muito a prosseguir com meu trabalho.

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