Opinião: racismo é crime. Não mimimi

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Nos últimos dias, vários casos de racismo surgiram na mídia. Cocielo e Mbappé, caso Bella, o jogador Fernandinho, para citar alguns. Lembrar esses tristes episódios é uma forma de lembrar também que racismo é crime e não é mimimi. Comentários desse tipo não podem mais tolerados.

1. Cocielo e Mbappé

Durante a partida entre França e Argentina na Copa, o youtuber Júlio Cocielo fez um comentário nas redes sociais sobre a velocidade do jogador Mbappé. O atleta de 19 anos é um dos craques da seleção francesa e marcou dois gols naquele jogo.

“Mbappé conseguiria fazer uns arrastão top na praia, hein”, escreveu Cocielo. Claro que não pegou bem. O youtuber até apagou alguns posts semelhantes e pediu desculpa, mas não antes de perder contratos por sua irresponsabilidade social.

2. Caso Bella

A mãe da pequena Izabella, uma menina de seis anos dona de um belo cabelo crespo, desabafou nas redes sociais depois que a filha voltou de um fim de semana na casa do pai e da madrasta. Bella chegou em casa com os cabelos lisos e curtos. Segundo a mãe, Fernanda Taysa, a madrasta demonstrava desgosto pelo cabelo de Bella. Apesar disso, Fernanda recebeu milhares de mensagens de apoio. Donna falou sobre o caso.

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Foto: Facebook/Divulgação

3. O brasileiro que sofreu racismo na Copa

Raiam Santos é um escritor carioca que foi assistir aos jogos da Copa na Rússia. Durante a partida entre Brasil e México, um torcedor mexicano imitou um macaco. O gesto foi direcionado ao brasileiro. O ato foi gravado em um vídeo pelo próprio Raiam, que divulgou as imagens nas redes sociais. Na legenda, o escritor escreveu: “Viralizem esse vídeo! Sou negro, sou brasileiro e sou pentacampeão! Racistas não passarão”. Tá dado o recado.

4. Objetificação do corpo negro

Era para ser um resumo de novela, mas o termo usado foi muito infeliz. Danilo Ferreira, o ator que interpreta o personagem da novela “Segundo Sol”, escreveu um texto indignado nas redes sociais e ganhou todo o apoio de colegas de elenco, atores, atrizes e fãs. “Faltou respeito e responsabilidade, meus caros”, disse ele, com toda a razão.

Ei! Notícias da TV, Eu não sou seu negro! Precisamos falar sobre objetificação de corpos negros. Quisera eu, que todos tivessem ideia da responsabilidade que nos atravessa em cena pra não reproduzir estigmas, não sublinhar estereótipos, não ficar chato, fazer bem e as vezes também se permitir esquecer tudo isso. Porque não pensar sobre essas coisas e apenas executar o seu trabalho é libertador, mas nem sempre possível. Quisera eu. Porém, o que me fez escrever aqui sobre a manchete acima, além dela ser absurda, são as mensagens que recebo nas redes e nas ruas. Palavras que falam de orgulho e representatividade, e que me fazem ter compromisso e responsabilidade quando boto a minha cara na tela. É por isso que escolhi ser ator, pra comunicar, andar com o nosso tempo e contribuir com reflexão. O que para mim, enquanto jovem ator, é responsabilidade e consciência, para quem se propõem a ser jornalista deveria ser obrigação. É muito difícil ver essa parcela da impressa do nosso país que, ainda se permite escrever e publicar esse tipo de manchete, que reproduz e reforça estigmas preconceituosos, reduzindo e hiper sexualizando os nossos corpos com uma escrita viciada em troca de cliques. Sei que temos aqui, veículos e jornalistas sérios, com propósito, e é nesse tipo de imprensa que acredito e busco dialogar. Márcia Pereira, Daniel Castro, Notícias da TV, faltou respeito e responsabilidade, meus caros! Pega a visão: Os tempos são outros. Repito: Eu não sou seu negro!

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5. Após gol contra, Fernandinho é alvo de ataques racistas

O Hexa não veio. Mas isso não é motivo para massacrar um jogador. No jogo contra a Bélgica, pelas quartas de final, uma bola desviou em Fernandinho e foi parar no fundo das redes. A Bélgica abriu 2 a 0.

A Seleção Brasileira bem que tentou buscar o resultado e marcou um gol com Renato Augusto, mas não foi suficiente. Todo mundo ficou decepcionado com a eliminação, principalmente com o gol contra do Fernandinho. Até aí, tudo bem. Mas o Instagram do jogador foi alvo de incontáveis comentários racistas. Felizmente muitas pessoas também foram às redes sociais defender o jogador.

Reprodução/Instagram

Mostrei esses cinco casos para mostrar que racismo nunca foi e nunca será vitimismo. Racismo dói.

Talvez o constrangimento público possa fazer com que o número de casos diminua. Essa é a minha esperança.

Todo esse horror nas redes sociais coincidiram com o Dia Nacional de Combate a Discriminação Racial, no último 3 de julho.

Mas não basta apenas ser contra o racismo. Temos que, juntos, combater esse mal da sociedade. E das redes sociais.

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